O ÓCIO É UMA ARTE

 

 

Por Rafael Souza

Como você lida com o ócio?

Seria o ócio a arte de equilibrarmos dinamicamente a nossa relação com o mundo?

Segundo De Masi, a espécie humana passou por diferentes transformações: “da atividade física para a intelectual, da atividade intelectual de tipo repetitivo à atividade intelectual criativa, do trabalho-labuta nitidamente separado do tempo livre e do estudo ao “ócio criativo”.

O próprio conceito de sucesso, abordado pela agência Box 1824 em seu vídeo “All work and All Play, vem evoluindo e trazendo reflexos de um resgate a cultura do “Ócio Criativo”, defendido por De Masi. O vídeo que faz referência à geração y, não como uma faixa etária e sim como uma tendência, destaca que o profissional deste novo momento da sociedade já não se contenta com a estabilidade das empresas ou com o crescimento meritocrático. O sucesso agora se vive no dia-a-dia, nos diferentes estímulos e aprendizados, nas inúmeras possibilidades de fazer novas conexões e dar luz ao projeto da sua vida, é preciso se trabalhar com paixão.

Assim como já se viviam, e ainda se vivem muitas comunidades rurais ao redor do mundo, as atividades voltaram a se misturar. A busca pelo prazer no fazer se torna uma constante. Não basta mais trabalhar para ganhar dinheiro, para se viver o lazer. Hoje se vive a busca pelo lazer, pelo bem estar no trabalho, o que traz consigo novamente a reflexão sobre como vivemos a nossa vida, sobre que trabalho traz sentido a nossa existência e atende as nossas necessidades, sejam elas individuais ou coletivas.

A era pós-industrial abriu um campo imenso de possibilidades para que a nova sociedade se volte para si, para pensar em como estamos trilhando nosso caminho, nossa jornada individual e coletiva. Como encontramos este equilíbrio dinâmico entre o viver pra mim e o viver para o mundo? Ou melhor, como eu posso viver estas duas facetas da existência ao mesmo tempo?

 

Sem título

 

Para De Masi, “quanto mais a natureza de um trabalho se limita à mera execução e implica puro esforço, mais ele se priva da dimensão cognoscitiva (área 2 segundo esquema acima) e da dimensão lúdica (área 3). Esta é a situação infeliz que no esquema corresponde à área 1.  Existem porém, trabalhos que desembocam no jogo, como, por exemplo, o de uma equipe cinematográfica que se diverte na filmagem de um filme cômico (área 4);  e existem trabalhos que se misturam com o estudo, como o de uma equipe de cientistas realizando um experimento (área 5). Contudo, a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo (área 7);  isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo”.

O “ócio criativo” é, portanto, a arte do equilíbrio, a alquimia entre o trabalho, aprendizado e o lazer. Para se atingir este estado, antes de tudo, demanda de um processo de auto reflexão,  em saber reconhecer aquilo que nos traz bem estar, nos coloca no presente e nos permite  experienciarmos a vida e as nossas atividades com tamanha profundidade, ao ponto em que, como diz um velho conto Zen, citado pelo autor, passe a almejar  simplesmente, “a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.”.

E você, como equilibra a sua relação com o mundo?

 

 

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Referências:

COSTA, VANESSA. Resumo do livro: O Ócio Criativo. UFSC, 2003.

DE MASI, DOMENICO. O Ócio Criativo. Editora Sextante. Rio de Janeiro. 2000

All work and All Play. Box 1824. Brasil 2012. Disponível em: http://vimeo.com/44130258

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