Lama Padma Samten no VIII Congresso de Meio Ambiente – RS

Palestra de abertura do VIII Congresso de Meio Ambiente da AUGM,  cujo o tema é O BEM VIVER, BIODIVERSIDADE E SUSTENTABILIDADE

“Precisamos fazer transições no modo como enxergamos o Meio Ambiente. Não devemos nos posicionar nos modos de encontrar outras fontes de energia, por exemplo, mas em modos de redefinir as formas de viver”, ressalta Samten.

Lama Samten faz abertura de *o. Congresso de Meio Ambiente - AUGM

Lama Samten faz abertura de 8o. Congresso de Meio Ambiente – AUGM

 

“O ambiente não é um ornamento, um simples fornecedor de recursos, de meios. Falar de sustentabilidade não é organizar apenas a vida humana”, ponderou o Lama Padma Samten, palestrante de abertura da 8ª edição do Congresso de Meio Ambiente da Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM), neste dia 15 de julho. O evento, realizado na UFRGS  conta com representantes de universidades públicas e autônomas de seis países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

O tema do Congresso é ‘Bem Viver, Biodiversidade e Sustentabilidade’, dando continuidade ao tema desenvolvido no congresso geral da AUGM, realizado ano passado, também na UFRGS. O convidado da abertura, um ex-professor da UFRGS que passou a se dedicar ao budismo, chamou a atenção para o uso do termo “recurso”, quando relacionado à natureza.

Segundo ele, a visão antropocêntrica diante do ambiente coloca o homem como superior, mas “não há como estarmos bem se o ambiente esta mal”, apontou o palestrante que, ainda, situou o tema em outras áreas, como educação, saúde, trabalho e economia, desafiando a “uma resposta com criatividade e não conservadora às questões amplas”. Ele também respondeu às questões da plateia.

Abertura

Na cerimônia de abertura, participaram o reitor em exercício da UFRGS, Rui Vicente Oppermann, o secretário-executivo da AUGM, Alvaro Maglia, o coordenador do Comitê de Meio Ambiente da AUGM, Jorge Luis Frangi, além do coordenador e do coordenador adjunto do congresso: Darci Campani e Fábio Kessler Dal Soglio. O coordenador do congresso destacou a importância do tema como emergente nas discussões. E o secretário-executivo da AUGM posicionou esse tema como estratégia para a integração regional.

O reitor em exercício Rui Oppermann saudou os participantes e indicou uma razão que, para ele, torna o evento mais importante: o fato de que o meio ambiente não tem fronteiras e de que sintetiza a integração proposta pela AUGM: “O Meio Ambiente é o espaço sem as diferenças regionais e, para bem viver, é preciso estar aberto às possibilidades”. O objetivo do evento é promover o intercambio da produção da área ambiental, integrando núcleos de ensino, pesquisa e extensão nas mais variadas áreas do conhecimento sobre o ambiente.

Fonte: UFRGS

 

Projetos para um mundo em transição

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A Design ao Vivo, em parceria com o IBQP – Instituto Brasileiro da Qualidade convidam:

Neste dia  27 de Agosto, das 19:00 às 22:00 na  sede do IBPQ,  convidamos você para palestra Sustentabilidade e Ecodesign – Ideias para um mundo em transição. Na ocasião será a oportunidade para palestra de abertura do curso de ECODESIGN, turma 2015/2016.

“Como utilizar a criatividade e o Design para gerar ideias e inovações para os desafios do novo momento socioeconômico que vivemos no país e no planeta?”

No evento, além da palestra inaugural de Bernadete Brandão, fundadora da Design ao Vivo, vamos apresentar os projetos desenvolvidos pelos Especialistas formados no curso do ano anterior. Os projetos foram desenvolvidos em conceitos e ferramentas mais atuais em Design com base em Parâmetros de Sustentabilidade reconhecidos mundialmente e trazem soluções para diferentes áreas da indústria e serviços.

E são eles:

– Alexandre Linhares l INOVAÇÃO SOCIAL E MODA
– Henrique Godeny Martins l VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO
– Luan Rodriguez Valloto l MODA ÉTICA E ARTESANATO REGIONAL
– Daniela Teodósio l DESIGN PARA [DES]CONSTRUÇÃO
– Gabriela Garcez Duarte l MODA ÉTICA PARA UM CONSUMO CONSCIENTE’
– Rafael Souza l CO-CRIAÇÃO, ECODESIGN E MODELOS COLABORATIVOS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Um evento para empreendedores, acadêmicos e aspirantes a Ecodesigners na nova turma, mas acima de tudo, criativos em busca de inspirações para a geração de ideias inovadoras que gerem impacto na economia, sociedade e meio ambiente!

Sua participação enriquecerá muito o evento, além de  fortalecer e consolidar a parceria entre o IBPQ e  Design ao Vivo.

Sustentabilidade e ecodesign – Ideias para um mundo em transição ou Carta aberta aos ecodesigners

abraço na vovó

 

Nos dias 25 e 26 de Junho realizamos apresentação de trabalhos Sustentabilidade e Ecodesign – Ideias para um mundo em transição. Este evento marcou o final do Programa de Ecodesign e a oportunidade de apresentar para a sociedade os  projetos de conclusão de curso dos alunos do programa.

Pensando melhor…foi muito mais que isso. O evento mostrou ideias de soluções para os desafios que se apresentam para o planeta, mostramos a “energia” que nos guiou de Maio de 2014 à Junho de 2015.

Durante o curso entendemos que, antes de qualquer potencial de criatividade, inovação, co-criação ou qualquer conceito que esteja em alta no mundo do Design, Empreendedorismo e etc, é necessário um novo olhar sobre nossa caminhada pela Terra. É necessário um olhar ao mesmo tempo crítico e apreciativo sobre as motivações para com o mundo e nossas ações enquanto agentes de transformação das nossas vidas e das vidas as quais impactamos, direta ou indiretamente.

Ferramentas de Design, Instrumentos de Gestão e Criação são como o nome já diz, ferramentas, instrumentos, apenas. Quem os guia são mãos e braços orientados por mentes e, acima de tudo, pelo coração, pela nossa consciência e sensibilidade em relação ao que e a quem estamos influenciando com estas ferramentas e habilidades. Cada um de sua maneira, através de sua expertise, apresentaram o que estavam em seus corações e mentes ao usarem suas habilidades e conhecimentos apreendidos no Programa de Ecodesign.

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Alexandre em performance costurando uma roupa de resíduos em tempo real com Thifany, enquanto um vídeo relata o processo de seu trabalho e o uso das ferramentas, dados, e conclusões – Matemática dos benefícios em Ecodesign

Alexandre Linhares, designer de moda conhecido por seu grande talento e sua habilidade de trazer a essência de cada pessoa que veste as suas roupas, apresentou a criatividade com a qual guia seus trabalhos na forma de se expressar.

Enquanto a apresentação de seu projeto acontecia, em formato de vídeo, o Designer e sua companheira Thifany, que o acompanhou em diversos momentos do curso, confeccionaram uma blusa feita com resíduos da indústria têxtil. 22 minutos onde pudemos ver sua sensibilidade em relação à sociedade e o meio ambiente e sua habilidade em transformar sua consciência em impactos positivos para o mundo.

Seu projeto INOVAÇÃO SOCIAL E MODA demonstrou os impactos da reutilização de resíduos da indústria têxtil em diferentes dimensões da sustentabilidade. Chamou a atenção também para a utilização da moda como ferramenta de inovação social e conscientização para um dos temas mais debatidos em nosso país na atualidade: O respeito à diversidade.

Alexandre demonstrou também que é sim possível realizar grandes espetáculos de moda ética através da criatividade, mobilização e engajamento de sua rede, com ferramentas como o crownfunding e parcerias com empresas e profissionais de diferentes áreas.

Na sequência, o também Designer de Moda, Luan Valloto apresentou o projeto MODA ÉTICA E ARTESANATO REGIONAL. Um projeto que trouxe a importância de se resgatar os conhecimentos de tradicionais como forma de valorizar o território e a diversidade cultural existente em nosso país.

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Surpresa na apresentação das peças da colação “Semente”

A sensibilidade e olhar apreciativo apresentada por Luan durante todo o curso ficou muito clara na criação de sua nova coleção “Semente”. Inspirada no Biomimetismo e, por meio da observação atenta dos elementos de uma árvore, Luan captou toda a riqueza de diferentes formas de vida e, consequentemente, a imensa variedade de cores, texturas e formas para criar as peças de sua coleção. Dois elementos muito presentes em seu projeto foram também o cuidado em relação ao tingimento de suas roupas, todas feitas com elementos naturais, como cúrcuma, erva mate, espinafre entre outros e a valorização do artesanato regional. Suas peças foram produzidas todas manualmente, por meio de técnicas como a tapeçaria, crochê e tear e em várias mãos e olhares, de grandes artesãs e artistas residentes em Curitiba.

Para finalizar as apresentações de quinta, foi a vez de conhecemos o projeto VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO, de Henrique Martins. Henrique propôs uma importante reflexão acerca da influência DE certos comportamentos sociais  má destinação de resíduos. A começar com uma ruptura paradigmática sobre o próprio conceito de “lixo”, demonstrando que em ambientes naturais isto simplesmente não existe, Henrique mostrou que o que entendemos como um problema pode ser uma grande oportunidade para geração de renda e alimento em escala local.

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VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO – e a importância do engajamento comunitário

Por meio de um profundo passeio pela real situação em relação à geração e destinação de resíduos no Brasil, pudemos compreender como fato da nossa estrutura social nos desconectar de um senso de comunidade local pode contribuir para a problemática dos resíduos.  Através da utilização de espaços particulares e públicos, como terrenos baldios  mal aproveitados ou subutilizados e do engajamento local, ferramentas de gestão colaborativa, a destinação de resíduos orgânicos poderá ser descentralizada e reciclada na própria região onde foi consumida, diminuindo a pressão sobre os aterros municipais e propiciando a oportunidade de gerar alimentos de alta qualidade para a própria comunidade, além de influenciar significativamente na dinâmica social, o que poderia influenciar na preservação do espaço público e até mesmo na segurança destas comunidades.

“Não se faz sustentabilidade sozinho”

Na sexta feira foi o dia das apresentações da Designer Gabriela Garcez e da Arquiteta Daniela Teodósio e o biólogo Rafael Souza. Foi a oportunidade de demonstrar que os conhecimentos do Design e do Ecodesign não são apenas para Designers e sim para qualquer área, pois muitos destes conhecimentos trazem habilidades para justamente utilizarmos de variadas perspectivas para gerar boas ideias de produtos e serviços.

Nossa primeira aluna a se apresentar foi a Arquiteta Daniela Teodósio. Daniela, que além de arquiteta é professora universitária, trouxe propostas para os desafios da geração de resíduos da Construção Civil. Daniela propôs um DESIGN PARA A DESCONSTRUÇÃO, por meio de uma ferramenta colaborativa de compartilhamento de resíduos de demolição. A ideia da construção de uma plataforma para o compartilhamento de produtos e serviços vem da experiência direta com os diferentes fatores que contribuem para uma geração de resíduos que chega a ordem de 80 milhões de m³ ao ano. A falta de cuidado e planejamento na hora de construir, reformar e demolir contribui para uma grande perda de matérias que poderiam ser reutilizados para outras construções, vem em grande parte pela falta de cultura de reaproveitamento e, mesmo para quem possui a consciência de reaproveitar estes resíduos, a dificuldade em encontrar meios para destiná-los de forma correta.

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Detalhes da pesquisa desenvolvida por Daniela que inspiraram o desenvolvimento da plataforma

A ferramenta propicia uma maior conectividade e interação com diferentes atores sociais envolvidos com a temática da construção, facilitando o   processo de reaproveitamento de inúmeros produtos. Além disto, a ferramenta poderá propiciar uma troca de serviços e  experiências, se traduzindo não apenas em uma plataforma de compartilhamento como também uma ferramenta educativa para uma mudança de cultura dentro da área.

Após a apresentação de Daniela,  foi a vez de Gabriela Duarte, Designer e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a PUC, trazer a aplicação dos conceitos e conhecimentos do Programa de Ecodesign em sua vida como empreendedora. Seu projeto, chamado VAREJO E MODA ÉTICA trouxe estratégias para o comércio de roupas dentro do varejo para fomentar uma cultura de cuidado com todas as pessoas envolvidas na cadeia produtiva  das confecções, bem como com o meio ambiente impactado pelas indústrias.

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Gabriela apresentou seu espaço, a loja Álbum Design Hits, um espaço super criativo e charmoso, que recebeu 3 dos 13 módulos do Programa de Ecodesign. Presenteando os participantes com um fanzine, a designer mostrou a importância da comunicação interna e externa de sua loja e como é possível influenciar toda a cadeia produtiva através de ferramentas criativas, como o Storytelling. Um projeto super interessante por apresentar a possibilidade de melhorar as condições socioambientais de produtos de produtos que estão atrelados a uma produção industrial.

 

Para finalizar as apresentações, o biólogo Rafael Souza trouxe uma nova proposta de educação, a ABORDAGEM 8.. Inspirada em conceitos como Jogos colaborativos, Ética e ecologia profunda, Educação transpessoal e ferramentas de ecodesign, Design Thinking e Gestão Colaborativa de Projetos, a proposta tem por objetivo auxiliar na formação humana em relação ao seu papel como agente de transformação do planeta Terra e utilizar como estratégia para a oferta de serviços a Politica Nacional de Educação Ambiental.

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Rafael mostrando a verdadeira motivação para desenvolver o seu projeto

A escolha pela abordagem vem da necessidade de criar uma estrutura que seja, ao mesmo tempo firme, por trazer conceitos que abrangem a existência humana dentro de uma visão transpessoal (contemplando sua relação com o mundo em todas as dimensões) e flexível, permitindo que seja trabalhada de forma eficiente em diferentes contextos socioculturais. O conceito do Sistema Produto e Serviço conta ainda com manuais sobre a abordagem e de dinâmicas colaborativas, que ficarão disponíveis de maneira gratuita para a sociedade.

Ética – do Grego Ethos ou bom costume, “portador de caráter”, significa a fundamentação da moral, da obediência à costumes e hábitos com os quais somos criados por meio da razão e da reflexão sobre a importância de se compreender e sentir o meio no qual estamos inseridos antes de adotarmos posturas e hábitos mimetizados de outras culturas e/ou outros tempos.

O momento de hoje pede uma ética que seja universal, que leve em consideração a maneira com a qual nossas ações impactam o mundo em escala global e compreender como assumir está postura, que parte de uma visão cada vez mais ampla em relação à nossa vida como espécie, e aplica-la de maneira local, através de um recorte de contexto, por onde podemos impactar vários outros contextos.

Podemos dizer que os frutos do Programa de Ecodesign, expressados na forma de projeto, traduzem a essência deste curso, cujo objetivo é maior que apenas apresentar ferramentas e conhecimentos para aplicarmos fundamentos profundos de sustentabilidade em qualquer tipo de projetos e sim o de construir um novo profissional, que tenha não apenas os instrumentos e habilidades necessárias para a prática de projetos visando o atendimento de padrões de sustentabilidade, mas que tenha olhar, o pensamento e o coração de quem sabe o significado e a importância de trabalhar seguindo está conduta.

Finalizamos o curso, mas muito além de um fim, este é apenas o início de uma grande jornada que nós, agora profissionais especialistas em Ecodesign teremos pela frente, ao colocarmos em prática tudo o que vivenciamos ao longo deste último ano. Somos um pouco mais responsáveis agora pelo mundo que deixaremos quando nossa jornada terminar, responsáveis por não deixarmos esta experiência ficar apenas em nossas mentes e corações e sim, que possamos aplicá-la, compartilhá-la e replicá-la da melhor maneira possível em benefício de todos os seres.

Gratidão imensa à todos os alunos, professores e parceiros deste curso.

Em especial à nossa grande mentora Bernadete, por sonhar, planejar, realizar, celebrar e principalmente, viver este belo movimento que se chama Ecodesign.

Que seja apenas o início de uma bela jornada para todos!

“O valor do resíduo e da consciência no consumo” – Confira o segundo dia dos Seminários em Ecodesign!

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Seminários em Ecodesign

No dia 11 de Junho foi realizado o segundo encontro dos Seminários em Ecodesign.

Tendo como  tema “O valor do resíduo e da consciência no consumo”, o evento teve a presença da  Mestre em geologia ambiental UFPR, especialista  consultora para implementação de estratégias para sustentabilidade corporativa e responsabilidade socioambiental, Ana Lizete Farias  e Luiz Reis, especialista em Arquitetura Bioambiental,  Luiz Reis ganhador do Prêmio Movelsul, IBAMA Madeiras Alternativas e autor de projetos como Ar Condicionado Natural e Casa Bioclimática, comentando em relação a questão do consumo e da geração de Resíduos a partir de suas áreas de especialidade.

Além da presença dos dois especialistas, a roda de conversa contou  também com a presença dos formandos no Programa de Especialização em Ecodesign, os designers Gabriel Garcez Duarte e Alexandre Linhares e da Arquiteta Daniela Teodósio, apresentando seus projetos na área de Ecodesign.

O evento abrangeu uma grande esfera de dimensões na qual a temática dos resíduos e da consciência em relação à questões socioambientais estão inseridas.

Luiz Reis, dissertou sobre a importância de se pensar em questões climáticas no processo de construção civil e como uma avaliação das condições ambientais pode impactar em uma maior ecoeficiência dos espaços construídos.  O especialista apresentou o projeto da Casa Bioclimática, comentando sobre os ganhos as vantagens em aproveitamento da luz do sol e os ganhos em energia térmica e iluminação que podem suplantar a necessidade de ar condicionado e aquecedor. A casa, que apresenta um visual arquitetônico arrojado e com linhas bastante acentuadas, foi toda calculada para se obter um maior aproveitamento possível da iluminação e condições térmicas. O projeto da casa propicia uma condição climática que dispensa o uso de aquecedores, ventiladores e ar condicionado.

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Luiz Reis e sua casa Bioclimática – Créditos da Imagem: Gazeta do Povo

Após a apresentação de Luiz Reis, foi a vez da mestre em Geologia Ambiental e especialista em Socioambiental, Ana Lizete, apresentar as relações entre consumo e Psicologia.

Ana fala da percepção das pessoas sobre os resíduos, de uma desconexão sobre os impactos ambientais da má gestão de resíduos. O resíduo, na perspectiva da natureza, não significa resíduo, é uma ‘construção’ feita pelo ser humano. Trazendo referências de grandes nomes da psicologia, como Sigmund Freud e Zygmunt Bauman, a especialista comentou também sobre o que é o consumo consciente, questionando a existência de uma real consciência de consumo e de como vem sendo utilizado como estratégia para se atender a determinadas necessidades não mais atendidas através de nossas relação com o mundo.

Ana Lizete em fogueira de Confraternização do grupo

Ana Lizete em fogueira de Confraternização do grupo

” Da mesma forma, o modo como tratamos nossos bens de consumo e o seu processo de produção, uso e descarte é semelhante com a forma com a qual nos comportamos e relação às pessoas. E ainda, que desaprendemos a cuidar e reparar produtos que se quebram ou envelhecem com o tempo, nossas relações sociais também estão cada vez mais frágeis e efêmeras”

Além das palestras, tivemos também a apresentação do processo de desenvolvimento dos projetos dos alunos formandos do Programa de Ecodesign. O primeiro projeto, apresentado por Alexandre Linhares, trouxe como tema a Inovação Social e a História Contada, relatos através  da roupa apresentando sua marca Heroína, onde trabalha seguindo três pilares: valorização da cultura local, utilização consciente de matéria-prima, utilizar o suporte têxtil como plataforma de discussão. O Ecodesigner falou sobre sua última produção, apresentada no evento “Muitas Caries nesta Boca Maldita”, um desfile realizado no espaço de bastidores do palco do Teatro Guaíra, no qual, através de Gilda, personalidade marcante do cenário curitibano da década de 60 trouxe variados questionamentos a respeito da massificação da moda, a violência sobre transexuais e homosexuais, além de inúmeros conceitos, que fizeram de seu desfile uma grande representação de um novo momento para o cenário de moda.

Foto: Daniel Sorrentino / clix.fot.br - crédito obrigatório

Muitas Cáries Nesta Boca Maldita – Desfile de coleção 2015 por Alexandre Linhares, aluno do Programa de Ecodesign – Créditos da Imagem: Gazeta do Povo

Na sequência, ainda falando sobre moda, Gabriela Duarte Garcez apresentou dados sobre a problemática da indústria moda atual, principalmente em relação às metas para se otimizar o processo produtivo e aumentar o lucro das empresas, trazendo graves consequências para a natureza, a água, a qualidade de vida e valorização do trabalho humano. Gabi mostrou dados sobre a exploração de jovens e mulheres no trabalho ‘escravo’, em diversos países da Ásia e África, aspectos que não são visíveis quando a roupa é comprada em grandes lojas urbanas à preços módicos. Apresenta proposta de solução para a desvalorização da mão de obra humana e os impactos socioambientais cometidos por esta esfera de economia, a Moda Ética, que tem como princípios a valorização e transparência da cadeia produtiva, aplicando-se na prática, em produtos comercializados por ela, na loja, a Album Design Hits.

Gabi, falando sobre a Moda Ética, e a importância de valorizar o produto e a cadeira produtiva e seres por trás da roupa

Gabi, falando sobre a Moda Ética, e a importância de valorizar o produto e a cadeira produtiva e seres por trás da roupa

Em seu espaço, no qual também faz parte a loja de discos de seu companheiro, Vinil Velho, “com base nos valores éticos dos seus proprietários, o local visa contribuir com o Design e seu entorno socioambiental, trazendo uma comunicação atual e compassiva que aproxima e conecta mais as pessoas”.

Segundo a Designer, que atua como professora na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, seu projeto pretende conscientizar o consumidor socialmente e valorizar o Design de Moda como um todo, tendo como ponto de partida o varejo e a experiência em comprar roupas.

Para concluir as apresentações, Daniela Teodósio, Arquiteta e Especialista em Gerenciamento de Obra, trouxe como tema os impactos da geração de resíduos da Construção Civil. Através de dados sobre os impactos gerados pelos RCC – Resíduos da Construção Civil e RCD – Resíduos de Construção e Demolição, Daniela mostrou como a “extração massiva de recursos para a utilização na construção civil não contempla o tempo de resiliência do planeta”. A arquiteta, que também é professora universitária, apresentou algumas iniciativas na área, como a reciclagem desta categoria de resíduos, iniciativa que, mesmo com utilização em máxmo potencial, contemplaria apenas o equivalente à 1% do total de resíduos gerados, somente em nosso país.

Como proposta de solução para a questão dos resíduos, Daniela está desenvolvendo o “Design para Desconstrução – Um espaço para a colaboração Coletiva. O projeto visa “transformar a ideia de uma construção civil DESTRUTIVA e passar a contribuir CONSTRUTIVAMENTE com a própria cadeia produtiva” e “elevar a condição do resíduo em recurso” , evitando o desperdício do recursos já retirados da natureza” através de um “Espaço de comunicação e troca de produtos específicos  fomentando a Autogestão e Autoresponsabilização pelo que for realizado. Uma dos comentários em relação ao projeto foi sobre a possibilidade de se estabelecerem parcerias com diferentes stakeholders envolvidos com a temática, colocando o projeto como uma oportunidade das empresas atenderem à demandas da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que traz como uma das exigências a serem cumpridas pelas empresas, a Responsabilidade Compartilhada pela Logística Reversa dos produtos comercializados.

Daniela expondo sobre resíduos da Construção Civil e formas alternativas de solução

Daniela expondo sobre resíduos da Construção Civil e formas alternativas de solução

O seminário, que trouxe grandes debates, serviu de boa inspiração para a finalização dos projetos dos formandos no programa. A apresentação final dos projetos aconteceu nos dias 25 e 26 de Junho, das 19:00 às 22:00 na UPE – União Paranaense dos Estudantes – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1157 São Francisco – Curitiba

Novo evento está agendado para o dia 27 de agosto, das 19 às 22 horas, no IBQP. O evento será gratuito e as inscrições podem ser feitas através do contato@designaovivo.com.br

O endereço do IBQP é R. Dr. Corrêa Coelho, 741 – Jardim Botânico, Curitiba

Todos são bem vindos!