Contemplação – o relato de um Slow Designer

O Slow Design é um convite para contemplar o verdadeiro ritmo das coisas, observar e observar-se. Vivenciar o processo de produção de um produto por completo, com atenção.

Alexandre Linhares, designer de moda e participante da edição 2014/2015 do Programa de Ecodesign, nos brindou com um belo relato sobre o seu trabalho. Sobre viver a construção de uma peça de roupa como um artista compõe uma poesia.

 

Abertura do desfile IDFashion, dia 29 de setembro de 2017, modelos com roupas coloridas se referindo às ‘bandeirolas de orações tibetanas’ com frases de mensagem ligadas ao ‘acolhimento, oferta, estrutura, limite e transformação’ para se propagarem no mundo

“Neste momento contemplo o slow.

São 1:36 a.m. e me vejo sentado numa cadeira Cimo, bordando uma Nossa Sra. Aparecida para nosso desfile “de 10 anos de trabalho”, daqui duas semanas. O motivo de estar sendo bordada essa hora, em casa, é porque ela alude à primeira peça, que sintetiza o início da marca, bordada pela Thifany numa camiseta que “apareceu para aos olhos certos” e fez nosso trabalho acontecer.

Essa peça foi bordada pouco a pouco, todas as noites, quando minha companheira chegava do trabalho e seguia na finalização das peças confeccionadas naquele dia. A Santa transpassou semanas de bordado, minuciosamente executada à noite, em casa.

 

 

Vestido Nossa Sra. de Aparecida – abertura do desfile “Poesia Desilusoria” no IDFashion

No desfile, ela virá maior, preta e branca, pintada num vestido amplo feito com metade de um lençol muito antigo, de algodão, que ganhamos da poetisa Priscila Prado. As dimensões e emoções já são outras, mas o bordado por cima da imagem será o mesmo da década passada, com o mesmo preciosismo e a mesma atmosfera na criação: bordada em casa, depois de chegar do trabalho, depois de tomar banho, com uma caneca de chá ao lado. Constantemente, me é questionado o porquê de o trabalho ser feito desta forma, nesse ritmo, a esse custo, com essa carga emocional. E a única resposta que me brota é a de que “é assim que me faz sentido”.

Sei que o mundo é outro do de 10 anos atrás, eu sou outra pessoa e minha companheira é outra pessoa também, mas o brilho da intenção da peça se materializar é o mesmo. Quanto ao lençol de algodão que dá corpo à obra, ele já era antigo há 10 anos, já não era mais usado e já era guardado com memória. Toda a memória e todas as histórias de amor vividas em cima dele, pessoas feitas, o tempo que ele ficou na mão da primeira bordadeira que, num “avesso-perfeito”, bordou as iniciais da noiva, de que agora me aproprio e estou quase “pixando” um patrimônio, com a interferência de Nsa. Sra. Aparecida, tudo isso vai entrar na passarela com a gente nesse momento e é tudo isso que vai suportar a imagem de uma santa bordada à mão em casa, por noites a fio. Não é um vestido de tecido branco bordado.

O slow não foi me ensinado, ele me apareceu. Foi assim que sempre me foi possível de ser feito.

Quando eu entrei na escola Design ao Vivo, percebi que o modo que eu construía o meu trabalho é bem semelhante a outros tantos processos de outros criadores e que este processo é chamado de “Slow”, “slow design, slow fashion, slow food, slow life” que vem de encontro ao “fast” do “fast-fashion”, por exemplo.

Esse processo é distinto de modismo, não vem de gosto ou vontade, ele é uma forma de viver e de se relacionar com o mundo. Um leque se abriu e a poesia da construção de cada peça, dessa forma, é o combustível e a razão da execução do trabalho.”

Com este belo relato,  nós lhe convidamos para Laboratório de Slow Design que se inicia este mês.

O laboratório tem início dia 10 de outubro e dia 02 foi realizada uma palestra especial para apresentar o curso, que vc pode conferir na íntegra AQUI:

Sentiu o chamado?Então inscreva-se no link!
https://designaovivo.typeform.com/to/QvfpvL

Saiba mais em:
http://www.designaovivo.com.br/slow-design-lab/

 

Alexandre Linhares é formado em Design de Produto pela UFPR e atua como criativo na H-AL. Participou do Programa de Ecodesign na Escola Design ao Vivo, em 2014/2015. Tem sua produção focada em peças de arte vestíveis, feitas da maneira mais respeitosa possível com o planeta e o meio vivo, se utilizando de descarte, tecidos rejeitados pela indústria e reaproveitamentos de outros suportes.

Projetos para um mundo em transição

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A Design ao Vivo, em parceria com o IBQP – Instituto Brasileiro da Qualidade convidam:

Neste dia  27 de Agosto, das 19:00 às 22:00 na  sede do IBPQ,  convidamos você para palestra Sustentabilidade e Ecodesign – Ideias para um mundo em transição. Na ocasião será a oportunidade para palestra de abertura do curso de ECODESIGN, turma 2015/2016.

“Como utilizar a criatividade e o Design para gerar ideias e inovações para os desafios do novo momento socioeconômico que vivemos no país e no planeta?”

No evento, além da palestra inaugural de Bernadete Brandão, fundadora da Design ao Vivo, vamos apresentar os projetos desenvolvidos pelos Especialistas formados no curso do ano anterior. Os projetos foram desenvolvidos em conceitos e ferramentas mais atuais em Design com base em Parâmetros de Sustentabilidade reconhecidos mundialmente e trazem soluções para diferentes áreas da indústria e serviços.

E são eles:

– Alexandre Linhares l INOVAÇÃO SOCIAL E MODA
– Henrique Godeny Martins l VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO
– Luan Rodriguez Valloto l MODA ÉTICA E ARTESANATO REGIONAL
– Daniela Teodósio l DESIGN PARA [DES]CONSTRUÇÃO
– Gabriela Garcez Duarte l MODA ÉTICA PARA UM CONSUMO CONSCIENTE’
– Rafael Souza l CO-CRIAÇÃO, ECODESIGN E MODELOS COLABORATIVOS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Um evento para empreendedores, acadêmicos e aspirantes a Ecodesigners na nova turma, mas acima de tudo, criativos em busca de inspirações para a geração de ideias inovadoras que gerem impacto na economia, sociedade e meio ambiente!

Sua participação enriquecerá muito o evento, além de  fortalecer e consolidar a parceria entre o IBPQ e  Design ao Vivo.

Sustentabilidade e ecodesign – Ideias para um mundo em transição ou Carta aberta aos ecodesigners

abraço na vovó

 

Nos dias 25 e 26 de Junho realizamos apresentação de trabalhos Sustentabilidade e Ecodesign – Ideias para um mundo em transição. Este evento marcou o final do Programa de Ecodesign e a oportunidade de apresentar para a sociedade os  projetos de conclusão de curso dos alunos do programa.

Pensando melhor…foi muito mais que isso. O evento mostrou ideias de soluções para os desafios que se apresentam para o planeta, mostramos a “energia” que nos guiou de Maio de 2014 à Junho de 2015.

Durante o curso entendemos que, antes de qualquer potencial de criatividade, inovação, co-criação ou qualquer conceito que esteja em alta no mundo do Design, Empreendedorismo e etc, é necessário um novo olhar sobre nossa caminhada pela Terra. É necessário um olhar ao mesmo tempo crítico e apreciativo sobre as motivações para com o mundo e nossas ações enquanto agentes de transformação das nossas vidas e das vidas as quais impactamos, direta ou indiretamente.

Ferramentas de Design, Instrumentos de Gestão e Criação são como o nome já diz, ferramentas, instrumentos, apenas. Quem os guia são mãos e braços orientados por mentes e, acima de tudo, pelo coração, pela nossa consciência e sensibilidade em relação ao que e a quem estamos influenciando com estas ferramentas e habilidades. Cada um de sua maneira, através de sua expertise, apresentaram o que estavam em seus corações e mentes ao usarem suas habilidades e conhecimentos apreendidos no Programa de Ecodesign.

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Alexandre em performance costurando uma roupa de resíduos em tempo real com Thifany, enquanto um vídeo relata o processo de seu trabalho e o uso das ferramentas, dados, e conclusões – Matemática dos benefícios em Ecodesign

Alexandre Linhares, designer de moda conhecido por seu grande talento e sua habilidade de trazer a essência de cada pessoa que veste as suas roupas, apresentou a criatividade com a qual guia seus trabalhos na forma de se expressar.

Enquanto a apresentação de seu projeto acontecia, em formato de vídeo, o Designer e sua companheira Thifany, que o acompanhou em diversos momentos do curso, confeccionaram uma blusa feita com resíduos da indústria têxtil. 22 minutos onde pudemos ver sua sensibilidade em relação à sociedade e o meio ambiente e sua habilidade em transformar sua consciência em impactos positivos para o mundo.

Seu projeto INOVAÇÃO SOCIAL E MODA demonstrou os impactos da reutilização de resíduos da indústria têxtil em diferentes dimensões da sustentabilidade. Chamou a atenção também para a utilização da moda como ferramenta de inovação social e conscientização para um dos temas mais debatidos em nosso país na atualidade: O respeito à diversidade.

Alexandre demonstrou também que é sim possível realizar grandes espetáculos de moda ética através da criatividade, mobilização e engajamento de sua rede, com ferramentas como o crownfunding e parcerias com empresas e profissionais de diferentes áreas.

Na sequência, o também Designer de Moda, Luan Valloto apresentou o projeto MODA ÉTICA E ARTESANATO REGIONAL. Um projeto que trouxe a importância de se resgatar os conhecimentos de tradicionais como forma de valorizar o território e a diversidade cultural existente em nosso país.

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Surpresa na apresentação das peças da colação “Semente”

A sensibilidade e olhar apreciativo apresentada por Luan durante todo o curso ficou muito clara na criação de sua nova coleção “Semente”. Inspirada no Biomimetismo e, por meio da observação atenta dos elementos de uma árvore, Luan captou toda a riqueza de diferentes formas de vida e, consequentemente, a imensa variedade de cores, texturas e formas para criar as peças de sua coleção. Dois elementos muito presentes em seu projeto foram também o cuidado em relação ao tingimento de suas roupas, todas feitas com elementos naturais, como cúrcuma, erva mate, espinafre entre outros e a valorização do artesanato regional. Suas peças foram produzidas todas manualmente, por meio de técnicas como a tapeçaria, crochê e tear e em várias mãos e olhares, de grandes artesãs e artistas residentes em Curitiba.

Para finalizar as apresentações de quinta, foi a vez de conhecemos o projeto VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO, de Henrique Martins. Henrique propôs uma importante reflexão acerca da influência DE certos comportamentos sociais  má destinação de resíduos. A começar com uma ruptura paradigmática sobre o próprio conceito de “lixo”, demonstrando que em ambientes naturais isto simplesmente não existe, Henrique mostrou que o que entendemos como um problema pode ser uma grande oportunidade para geração de renda e alimento em escala local.

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VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO – e a importância do engajamento comunitário

Por meio de um profundo passeio pela real situação em relação à geração e destinação de resíduos no Brasil, pudemos compreender como fato da nossa estrutura social nos desconectar de um senso de comunidade local pode contribuir para a problemática dos resíduos.  Através da utilização de espaços particulares e públicos, como terrenos baldios  mal aproveitados ou subutilizados e do engajamento local, ferramentas de gestão colaborativa, a destinação de resíduos orgânicos poderá ser descentralizada e reciclada na própria região onde foi consumida, diminuindo a pressão sobre os aterros municipais e propiciando a oportunidade de gerar alimentos de alta qualidade para a própria comunidade, além de influenciar significativamente na dinâmica social, o que poderia influenciar na preservação do espaço público e até mesmo na segurança destas comunidades.

“Não se faz sustentabilidade sozinho”

Na sexta feira foi o dia das apresentações da Designer Gabriela Garcez e da Arquiteta Daniela Teodósio e o biólogo Rafael Souza. Foi a oportunidade de demonstrar que os conhecimentos do Design e do Ecodesign não são apenas para Designers e sim para qualquer área, pois muitos destes conhecimentos trazem habilidades para justamente utilizarmos de variadas perspectivas para gerar boas ideias de produtos e serviços.

Nossa primeira aluna a se apresentar foi a Arquiteta Daniela Teodósio. Daniela, que além de arquiteta é professora universitária, trouxe propostas para os desafios da geração de resíduos da Construção Civil. Daniela propôs um DESIGN PARA A DESCONSTRUÇÃO, por meio de uma ferramenta colaborativa de compartilhamento de resíduos de demolição. A ideia da construção de uma plataforma para o compartilhamento de produtos e serviços vem da experiência direta com os diferentes fatores que contribuem para uma geração de resíduos que chega a ordem de 80 milhões de m³ ao ano. A falta de cuidado e planejamento na hora de construir, reformar e demolir contribui para uma grande perda de matérias que poderiam ser reutilizados para outras construções, vem em grande parte pela falta de cultura de reaproveitamento e, mesmo para quem possui a consciência de reaproveitar estes resíduos, a dificuldade em encontrar meios para destiná-los de forma correta.

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Detalhes da pesquisa desenvolvida por Daniela que inspiraram o desenvolvimento da plataforma

A ferramenta propicia uma maior conectividade e interação com diferentes atores sociais envolvidos com a temática da construção, facilitando o   processo de reaproveitamento de inúmeros produtos. Além disto, a ferramenta poderá propiciar uma troca de serviços e  experiências, se traduzindo não apenas em uma plataforma de compartilhamento como também uma ferramenta educativa para uma mudança de cultura dentro da área.

Após a apresentação de Daniela,  foi a vez de Gabriela Duarte, Designer e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a PUC, trazer a aplicação dos conceitos e conhecimentos do Programa de Ecodesign em sua vida como empreendedora. Seu projeto, chamado VAREJO E MODA ÉTICA trouxe estratégias para o comércio de roupas dentro do varejo para fomentar uma cultura de cuidado com todas as pessoas envolvidas na cadeia produtiva  das confecções, bem como com o meio ambiente impactado pelas indústrias.

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Gabriela apresentou seu espaço, a loja Álbum Design Hits, um espaço super criativo e charmoso, que recebeu 3 dos 13 módulos do Programa de Ecodesign. Presenteando os participantes com um fanzine, a designer mostrou a importância da comunicação interna e externa de sua loja e como é possível influenciar toda a cadeia produtiva através de ferramentas criativas, como o Storytelling. Um projeto super interessante por apresentar a possibilidade de melhorar as condições socioambientais de produtos de produtos que estão atrelados a uma produção industrial.

 

Para finalizar as apresentações, o biólogo Rafael Souza trouxe uma nova proposta de educação, a ABORDAGEM 8.. Inspirada em conceitos como Jogos colaborativos, Ética e ecologia profunda, Educação transpessoal e ferramentas de ecodesign, Design Thinking e Gestão Colaborativa de Projetos, a proposta tem por objetivo auxiliar na formação humana em relação ao seu papel como agente de transformação do planeta Terra e utilizar como estratégia para a oferta de serviços a Politica Nacional de Educação Ambiental.

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Rafael mostrando a verdadeira motivação para desenvolver o seu projeto

A escolha pela abordagem vem da necessidade de criar uma estrutura que seja, ao mesmo tempo firme, por trazer conceitos que abrangem a existência humana dentro de uma visão transpessoal (contemplando sua relação com o mundo em todas as dimensões) e flexível, permitindo que seja trabalhada de forma eficiente em diferentes contextos socioculturais. O conceito do Sistema Produto e Serviço conta ainda com manuais sobre a abordagem e de dinâmicas colaborativas, que ficarão disponíveis de maneira gratuita para a sociedade.

Ética – do Grego Ethos ou bom costume, “portador de caráter”, significa a fundamentação da moral, da obediência à costumes e hábitos com os quais somos criados por meio da razão e da reflexão sobre a importância de se compreender e sentir o meio no qual estamos inseridos antes de adotarmos posturas e hábitos mimetizados de outras culturas e/ou outros tempos.

O momento de hoje pede uma ética que seja universal, que leve em consideração a maneira com a qual nossas ações impactam o mundo em escala global e compreender como assumir está postura, que parte de uma visão cada vez mais ampla em relação à nossa vida como espécie, e aplica-la de maneira local, através de um recorte de contexto, por onde podemos impactar vários outros contextos.

Podemos dizer que os frutos do Programa de Ecodesign, expressados na forma de projeto, traduzem a essência deste curso, cujo objetivo é maior que apenas apresentar ferramentas e conhecimentos para aplicarmos fundamentos profundos de sustentabilidade em qualquer tipo de projetos e sim o de construir um novo profissional, que tenha não apenas os instrumentos e habilidades necessárias para a prática de projetos visando o atendimento de padrões de sustentabilidade, mas que tenha olhar, o pensamento e o coração de quem sabe o significado e a importância de trabalhar seguindo está conduta.

Finalizamos o curso, mas muito além de um fim, este é apenas o início de uma grande jornada que nós, agora profissionais especialistas em Ecodesign teremos pela frente, ao colocarmos em prática tudo o que vivenciamos ao longo deste último ano. Somos um pouco mais responsáveis agora pelo mundo que deixaremos quando nossa jornada terminar, responsáveis por não deixarmos esta experiência ficar apenas em nossas mentes e corações e sim, que possamos aplicá-la, compartilhá-la e replicá-la da melhor maneira possível em benefício de todos os seres.

Gratidão imensa à todos os alunos, professores e parceiros deste curso.

Em especial à nossa grande mentora Bernadete, por sonhar, planejar, realizar, celebrar e principalmente, viver este belo movimento que se chama Ecodesign.

Que seja apenas o início de uma bela jornada para todos!

“O valor do resíduo e da consciência no consumo” – Confira o segundo dia dos Seminários em Ecodesign!

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Seminários em Ecodesign

No dia 11 de Junho foi realizado o segundo encontro dos Seminários em Ecodesign.

Tendo como  tema “O valor do resíduo e da consciência no consumo”, o evento teve a presença da  Mestre em geologia ambiental UFPR, especialista  consultora para implementação de estratégias para sustentabilidade corporativa e responsabilidade socioambiental, Ana Lizete Farias  e Luiz Reis, especialista em Arquitetura Bioambiental,  Luiz Reis ganhador do Prêmio Movelsul, IBAMA Madeiras Alternativas e autor de projetos como Ar Condicionado Natural e Casa Bioclimática, comentando em relação a questão do consumo e da geração de Resíduos a partir de suas áreas de especialidade.

Além da presença dos dois especialistas, a roda de conversa contou  também com a presença dos formandos no Programa de Especialização em Ecodesign, os designers Gabriel Garcez Duarte e Alexandre Linhares e da Arquiteta Daniela Teodósio, apresentando seus projetos na área de Ecodesign.

O evento abrangeu uma grande esfera de dimensões na qual a temática dos resíduos e da consciência em relação à questões socioambientais estão inseridas.

Luiz Reis, dissertou sobre a importância de se pensar em questões climáticas no processo de construção civil e como uma avaliação das condições ambientais pode impactar em uma maior ecoeficiência dos espaços construídos.  O especialista apresentou o projeto da Casa Bioclimática, comentando sobre os ganhos as vantagens em aproveitamento da luz do sol e os ganhos em energia térmica e iluminação que podem suplantar a necessidade de ar condicionado e aquecedor. A casa, que apresenta um visual arquitetônico arrojado e com linhas bastante acentuadas, foi toda calculada para se obter um maior aproveitamento possível da iluminação e condições térmicas. O projeto da casa propicia uma condição climática que dispensa o uso de aquecedores, ventiladores e ar condicionado.

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Luiz Reis e sua casa Bioclimática – Créditos da Imagem: Gazeta do Povo

Após a apresentação de Luiz Reis, foi a vez da mestre em Geologia Ambiental e especialista em Socioambiental, Ana Lizete, apresentar as relações entre consumo e Psicologia.

Ana fala da percepção das pessoas sobre os resíduos, de uma desconexão sobre os impactos ambientais da má gestão de resíduos. O resíduo, na perspectiva da natureza, não significa resíduo, é uma ‘construção’ feita pelo ser humano. Trazendo referências de grandes nomes da psicologia, como Sigmund Freud e Zygmunt Bauman, a especialista comentou também sobre o que é o consumo consciente, questionando a existência de uma real consciência de consumo e de como vem sendo utilizado como estratégia para se atender a determinadas necessidades não mais atendidas através de nossas relação com o mundo.

Ana Lizete em fogueira de Confraternização do grupo

Ana Lizete em fogueira de Confraternização do grupo

” Da mesma forma, o modo como tratamos nossos bens de consumo e o seu processo de produção, uso e descarte é semelhante com a forma com a qual nos comportamos e relação às pessoas. E ainda, que desaprendemos a cuidar e reparar produtos que se quebram ou envelhecem com o tempo, nossas relações sociais também estão cada vez mais frágeis e efêmeras”

Além das palestras, tivemos também a apresentação do processo de desenvolvimento dos projetos dos alunos formandos do Programa de Ecodesign. O primeiro projeto, apresentado por Alexandre Linhares, trouxe como tema a Inovação Social e a História Contada, relatos através  da roupa apresentando sua marca Heroína, onde trabalha seguindo três pilares: valorização da cultura local, utilização consciente de matéria-prima, utilizar o suporte têxtil como plataforma de discussão. O Ecodesigner falou sobre sua última produção, apresentada no evento “Muitas Caries nesta Boca Maldita”, um desfile realizado no espaço de bastidores do palco do Teatro Guaíra, no qual, através de Gilda, personalidade marcante do cenário curitibano da década de 60 trouxe variados questionamentos a respeito da massificação da moda, a violência sobre transexuais e homosexuais, além de inúmeros conceitos, que fizeram de seu desfile uma grande representação de um novo momento para o cenário de moda.

Foto: Daniel Sorrentino / clix.fot.br - crédito obrigatório

Muitas Cáries Nesta Boca Maldita – Desfile de coleção 2015 por Alexandre Linhares, aluno do Programa de Ecodesign – Créditos da Imagem: Gazeta do Povo

Na sequência, ainda falando sobre moda, Gabriela Duarte Garcez apresentou dados sobre a problemática da indústria moda atual, principalmente em relação às metas para se otimizar o processo produtivo e aumentar o lucro das empresas, trazendo graves consequências para a natureza, a água, a qualidade de vida e valorização do trabalho humano. Gabi mostrou dados sobre a exploração de jovens e mulheres no trabalho ‘escravo’, em diversos países da Ásia e África, aspectos que não são visíveis quando a roupa é comprada em grandes lojas urbanas à preços módicos. Apresenta proposta de solução para a desvalorização da mão de obra humana e os impactos socioambientais cometidos por esta esfera de economia, a Moda Ética, que tem como princípios a valorização e transparência da cadeia produtiva, aplicando-se na prática, em produtos comercializados por ela, na loja, a Album Design Hits.

Gabi, falando sobre a Moda Ética, e a importância de valorizar o produto e a cadeira produtiva e seres por trás da roupa

Gabi, falando sobre a Moda Ética, e a importância de valorizar o produto e a cadeira produtiva e seres por trás da roupa

Em seu espaço, no qual também faz parte a loja de discos de seu companheiro, Vinil Velho, “com base nos valores éticos dos seus proprietários, o local visa contribuir com o Design e seu entorno socioambiental, trazendo uma comunicação atual e compassiva que aproxima e conecta mais as pessoas”.

Segundo a Designer, que atua como professora na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, seu projeto pretende conscientizar o consumidor socialmente e valorizar o Design de Moda como um todo, tendo como ponto de partida o varejo e a experiência em comprar roupas.

Para concluir as apresentações, Daniela Teodósio, Arquiteta e Especialista em Gerenciamento de Obra, trouxe como tema os impactos da geração de resíduos da Construção Civil. Através de dados sobre os impactos gerados pelos RCC – Resíduos da Construção Civil e RCD – Resíduos de Construção e Demolição, Daniela mostrou como a “extração massiva de recursos para a utilização na construção civil não contempla o tempo de resiliência do planeta”. A arquiteta, que também é professora universitária, apresentou algumas iniciativas na área, como a reciclagem desta categoria de resíduos, iniciativa que, mesmo com utilização em máxmo potencial, contemplaria apenas o equivalente à 1% do total de resíduos gerados, somente em nosso país.

Como proposta de solução para a questão dos resíduos, Daniela está desenvolvendo o “Design para Desconstrução – Um espaço para a colaboração Coletiva. O projeto visa “transformar a ideia de uma construção civil DESTRUTIVA e passar a contribuir CONSTRUTIVAMENTE com a própria cadeia produtiva” e “elevar a condição do resíduo em recurso” , evitando o desperdício do recursos já retirados da natureza” através de um “Espaço de comunicação e troca de produtos específicos  fomentando a Autogestão e Autoresponsabilização pelo que for realizado. Uma dos comentários em relação ao projeto foi sobre a possibilidade de se estabelecerem parcerias com diferentes stakeholders envolvidos com a temática, colocando o projeto como uma oportunidade das empresas atenderem à demandas da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que traz como uma das exigências a serem cumpridas pelas empresas, a Responsabilidade Compartilhada pela Logística Reversa dos produtos comercializados.

Daniela expondo sobre resíduos da Construção Civil e formas alternativas de solução

Daniela expondo sobre resíduos da Construção Civil e formas alternativas de solução

O seminário, que trouxe grandes debates, serviu de boa inspiração para a finalização dos projetos dos formandos no programa. A apresentação final dos projetos aconteceu nos dias 25 e 26 de Junho, das 19:00 às 22:00 na UPE – União Paranaense dos Estudantes – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1157 São Francisco – Curitiba

Novo evento está agendado para o dia 27 de agosto, das 19 às 22 horas, no IBQP. O evento será gratuito e as inscrições podem ser feitas através do contato@designaovivo.com.br

O endereço do IBQP é R. Dr. Corrêa Coelho, 741 – Jardim Botânico, Curitiba

Todos são bem vindos!

Design ao Vivo promove palestra aberta sobre ACV – Avaliação de Ciclo de Vida

Como saber se um produto é de fato ECOLÓGICO, qual o grau de sustentabilidade, quais os impactos que são gerados no nível ambiental, social e econômico?

 

Na quinta de abril, dia 16, a Design ao Vivo realizou a palestra aberta “Avaliação de Ciclo de Vida – ACV”, ministrada por Paola Karina, Doutora em Innovation, Accounting, Environment and Finance pela Universidade G. DAnnunzio, e faz parte da equipe de pesquisa da Phd. Cássia Ugaya, na Utfpr.


A ACV é uma ferramenta de avaliação do desempenho de produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida – do berço ao túmulo. O diagnóstico percorre todo o processo, desde a extração dos recursos naturais, passando por todos os elos industriais de sua cadeia produtiva, pela sua distribuição e uso, até sua disposição final, avaliando os seguintes itens: energia, água, Co2, combustível fóssil em cada uma das etapas, além de considerar perdas e ganhos do ponto de vista social e econômico. Atualmente são dados de base para a certificação da ISO 14.040.

Os passos da ACV estão internacionalmente padronizados pela Society of Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC) e pela International Organization of Standardization (ISO), compõem-se das fases interativas de Definição do Objetivo e Escopo, Análise do Inventário, Avaliação de Impactos do Ciclo de Vida e Interpretação.

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Recorte – Avaliação de ciclo de vida

Desta forma, a técnica pode ser utilizada em diferentes aspectos do desenvolvimento de um produto como:
– Desenvolvimento e melhoria do produto;
– Definição de planejamentos estratégicos e políticas públicas;
– Gestão de impactos ambientais de produtos e serviços e;
– Marketing ecológico responsável.

De acordo com a Norma ISO 14040: “A Avaliação de Ciclo de Vida é uma técnica de Gestão Ambiental para determinar os aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto: juntando um inventário de todas as entradas e saídas relevantes do sistema, avaliando os impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas, e interpretando os resultados das fases de inventário e impacto em relação com os objetivos de estudo”. É possível medir produtos e processos industriais relativos, em recorte de localização, matriz energética, favorecimentos geográficos.

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Ciclo de vida de produtos: Entradas e Saídas e os limites do sistema

 

Segundo a UNEP (2003), se apresentam as categorias de impacto em que os dados do inventário podem ser classificados, separando-as em categorias de entrada e saída, relacionando a cada uma delas os possíveis indicadores gerados. Em Categorias relacionadas a Entrada temos Extração de Recursos abióticos e consequente Escassez de recursos, e Extração de recursos bióticos, Escassez de recursos, considerando a taxa de reposição.

Categorias de impacto

Possível indicador

Categorias relacionadas a Entrada
Extração de Recursos abióticos Escassez de recursos
Extração de recursos bióticos Escassez de recursos, considerando a taxa de reposição
Categorias relacionadas a saída
Mudanças climáticas Kg de CO2 como unidade de equivalência para o potencial de Aquecimento Global
Destruição do ozônio estratosférico Kg de CFC-11 como unidade de equivalência para o potencial de destruição do ozônio
Toxicidade humana Potencial de toxicidade humana
Eco-toxicidade Potencial de Eco-toxicidade
Formação de foto-oxidantes Kg de eteno como unidade de equivalência para potencial de criação fotoquímica de ozônio
Acidificação Liberação de H + como unidade de equivalência para o potencial de acidificação
Nutrificação Total de macro-nutrientes como unidade de equivalência para o Potencial de Nutrification
Fonte: UNEP (2003)
 
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Infográfico do Ciclo de vida de um produto e seu impacto por Design ao Vivo Designer Gaby Emmerich 2014

 

Transformando em projeto de Ecodesign, neste inventário importa os dados apresentados para tomada de decisões estratégicas tanto com vistas ao futuro quanto a análise de um ‘retorno ao passado’, no sentido de reintegração de elementos da natureza e da sociedade.

 

  • Inovação: a ACV é realizada para avaliar o impacto ambiental de melhorias de produtos, desenvolvimento de produtos ou inovações técnicas.
  • Planejamento estratégico: O estudo de ACV é realizado para avaliar o impacto ambiental de cenários estratégicos;
  • Comparação: O estudo de ACV é realizado para avaliar se um produto ou sistema atende certos padrões ambientais, ou se é ambientalmente mais correto do que outro produto ou sistema;
  • Afirmação comparativa divulgada ao público: O estudo de ACV tem como objetivo fornecer uma declaração ambiental a respeito da superioridade ou equivalência de um produto versus um produto concorrente que realiza a mesma função;
  • Promover a concepção de novos produtos;
  • Analisar as origens dos problemas relacionados a um determinado produto e propor melhorias

 

 

Paola se deteve em seus estudos na Itália, do ACV aplicada a sociedade, parte mais atualizada da metodologia sobre os impactos sociais gerados por uma produção, área mais nova de pesquisa na Europa, aos poucos sendo adaptada as configurações brasileiras.

 

 

A palestra sobre ACV dá continuidade à série de palestras abertas do Programa de Especialização em Ecodesign, ligando as cenas atuais motivadas a diagnóstico da realidade, para dar a base para construção de cenários futuros.

No  dia 2 de abril  foi realizada a palestra “Energia Fotovoltáica e Carros Elétricos”, com a presença do professor Luis Maccarini, Engenheiro Eletrônico, especialista em sistemas de Geração Fotovoltaica e Veículos Elétricos.

Luis falou sobre as vantagens da energia solar: a aplicação, a facilidade de construção de painéis, o custo que se dissolve com o tempo, o aquecimento de água, aquecimento de interiores, além da conversão de energia em luz/iluminação. Outro aspecto potencial é a possibilidade de doar energia para o sistema da servidora estadual, permitido pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, por sistema de compensação de energia, da resolução normativa 482.

Além disto, Maccarini que é um entusiasta das atividades da engenharia a favor da mobilidade nas cidades, a sustentabilidade ao acesso de todos, demonstrou uso em projetos de construções construção civil, aplicação em escolas de educação alternativa em Porto Alegre, Viamão e Florianopolis, e obras de todos os tipos e transporte, com dados estatísticos do benefício para o planeta! e para o bolso do usuário….

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Luis Maccarini em palestra na Uexp, no Programa de Ecodesign em abril de 2015

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Público privilegiado falando sobre Energia Fotovoltaica e automotiva

Programa de Ecodesign – Confira como foi o módulo Gestão Colaborativa em Ecodesign

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Gestão colaborativa em Ecodesign

 

 

No último fim de semana de fevereiro, tivemos o 9º Módulo do nosso programa – Gestão Colaborativa em Ecodesign. Neste módulo tivemos a oportunidade de revisar vários conceitos e ferramentas aplicadas nos módulos anteriores, usando como exemplo a Co-criação de um dos projetos de conclusão de curso do nosso programa, em cooperação com a aluna Gabi Garcez Duarte.

E como base metodológica para a co-criação dos projetos, foi utilizada a estrutura de gestão do modelo criado por John Crof, que é  co-fundador da Fundação Gaia da Austrália, o modelo de gestão colaborativa de projetos Dragon Dreaming, que nos oportuniza uma visão macro da gestão de um projeto, focada no processo e no alinhamento do grupo.

Este processo é dividido em 4 etapas

SONHO – PLANEJAMENTO – REALIZAÇÃO – CELEBRAÇÃO

Que compreendem um total de 12 passos em um projeto:

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Mandala dos 12 Passos – por Rafael Souza

 

 

Nesta base, tivemos a oportunidade de nos conectar com diferentes momentos do nosso programa e a cada etapa, olharmos para diferentes instrumentos de criação e gestão trazidas pelos diferentes facilitadores ao longo do curso.

Por exemplo, o módulo 1 de nosso programa, Parâmetros para o Ecodesign, foi revisitado em nossa primeira dinâmica, um Journaling, onde os alunos apreciaram  suas necessidades e as necessidades que encontram no mundo, refletindo itens da Agenda 21 e sobre os princípios da Ética Profunda, apresentado pelo nosso facilitador José Edmilson. São elas:

a) Jamais põe em risco o outro;

b) Sempre estar orientado para o cuidado em relação ao outro;

c) Propiciar a emergência de um Homo sapiens jardineiro.

Este mesmos princípios surgem novamente como eixo motivador para o compartilhamento dos sonhos.

Utilizando dinâmicas caórdicas de co-criação, compartilhamos nossos sonhos e desenhamos de forma conjunta o alinhamento de objetivos e missão do projeto. Para propiciar uma visão macro do projeto, foi utilizado o modelo Canvas. Ao som de Skatalites, o grupo mapeou diferentes ‘áreas base’ de um plano de negócios e co-criou múltiplas oportunidades, e tudo isto em apenas 20 minutos!

“O resultado foi incrível. Neste ponto é que percebemos que um grupo, ao trabalhar profundamente por alguns dias juntos, passa a agir como  uma ‘inteligência coletiva’, com potencial de alcançar o novo a cada instante, e muito rápido”, comenta Bernadete Brandão, coordenadora do curso.

 

 

 

Já pensou em co-criar a base de um plano de negócios de forma caórdica em 20 minutos ao som de Skatalites?

 

No momento de planejamento, pudemos relembrar e aplicar no projeto em questão, as ferramentas e métodos como MEPSS, SWOT, Mapa de sistemas, Análise de Stakeholder entre outras. Tratando a situação como um projeto piloto foi realizado alinhamento com a  matriz de sustentabilidade, podendo-se utilizar como comparativo documentos como as ODMs – Objetivos do Milênio e a Agenda 21.

 

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Grupo desenvolvendo o mapa de planejamento estratégico – Karabirdt

 

Para finalizar, desenvolvemos um mapa estratégico de atividades, conhecida como Karabirdt, criado por Jon Croft, ou, na sua tradução ocidental, teia de aranha. Este modelo de mapa estratégico permite observar a inteligência do grupo através do perfil  e sua tendência a manutenção ou queda de motivação, além de propiciar uma visão macro de todas as ações do projeto, possibilitando assim, o monitoramento coletivo. “Quando este tópico é aplicado a um time de projeto, que passará meses juntos, traz dados de atitude e funcionamento de equipe, que são valiosos para o bom andamento de um projeto”, complementa Bernadete.

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Gabi com o Karabirdt do seu projeto, feito de forma colaborativa com uma equipe que se acompanha há quase um ano!

 

A prática, que teve como focalizador Rafael Souza, nos permitiu, além de revisar vários conceitos importantes na aplicação de projetos, começar a coloca-los em prática de forma colaborativa e bastante criativa!

 

Como educar para mudar a atitude do consumidor

Ai é que sentimos a importância da Comunicação e da Educação para o consumo consciente.

Por Bernadete Brandão

 

8980_10152618653502991_8196431301409875792_n Eis que pessoalmente entro numa escola de ensino fundamental reconhecida de Curitiba para votar no dia das eleições e olha o que vejo na janela da cantina? Uma pequena frase de estímulo ” Consumo consciente: Respeito à sociedade e ao meio ambiente”. Que tal?  Por trás está um balcão lotado de junk food, com embalagens de plástico aluminizado. Bem, fiquei sem palavras. Tudo de bom e saudável que podemos ensinar a crianças fica muito prejudicado quando não há o cuidado e a coerência necessária para esta mudança.

[claro, buscando ser ética, mas sem perder a oportunidade, escondi cuidadosamente a marca da escola, pois não há sentido em expor o equivocado].

Como fazer para ensinar crianças e adolescentes a terem uma ‘boa atitude’, e quais seriam estas, diante da ambiguidade atual? Onde os termos usados ‘sustentabilidade’, ‘responsabilidade social’ e outros são defendidos dentro de uma lógica capitalista, estimulando exatamente o contrário e com sentido duplo…

 

Por pesquisa realizada pela agência inglesa Futura, há três tipos de consumidores, no comportamento em relação a consumo e a atitude sustentável [informação bem útil pra quem realiza projetos ecosustentáveis e planeja a publicidade destes eco-produtos:

1- PIONEIRO: este consumidor conhece o assunto, tem iniciativa, busca pela informação, experimenta o novo, explora as possibilidades, tem compromisso com o impacto que gera. [em 2008 era cerca de 8% da população mundial, em pesquisa realizada em mais 80 países, há variações de acordo com o desenvolvimento]. A imagem se refere aos desbravadores, que saíram de seus países em busca de novas terras e de um mundo novo.

2- EXTRATIVISTA: este consumidor quer ganhar vantagens em sua compra, seja monetária, ou de oportunidade. Propriamente não se preocupa com o meio ambiente, e o social e nem o modo de como são obtidas as coisas. A imagem se refere aqueles que, após saberem de novas terras, se arriscavam para tirar vantagens e fazer riqueza pessoal]

3- SEGUIDOR DE TENDÊNCIA: este é aquele que segue a moda, propriamente não tem opinião própria, mas tendências, que precisam ser afirmadas por ídolos. A exemplo de sua majestade, a rainha da Inglaterra, que colocou em 2008 centrais solares no castelo para economia de energia, e a população ‘copiou’ sua atitude em massa. Até mesmo, a ‘posição das placas’ solares em relação ao imóvel, muitas vezes sem levar em conta a posição do sol…

Conhecendo esta informação, como podemos trabalhar com ela, estimulando corretamente o consumo, de crianças e adultos?

Informações atuais trazidas para o curso Programa de Ecodesign pelo Prof. Msc. Márcio Dupont sobre Consumo Consciente:

– Na Europa, os números da pesquisa sobre Consumo, mostra maior engajamento à atividades sustentáveis em 18% de Ativistas, compreendendo o grupo de Engajados, Responsáveis e Preocupados, que tem como característica serem profundamente comprometidos, e portanto, exigem do mercado [empresas de produtos, comércio e serviços] qualidade na informação e evidência sobre a confiança; há o grupo de Otimistas, em 21%, os quais são compromissados e aspiram sentir-se bem – compreende o grupo de pessoas interessadas, confiantes e as que seguem a moda e as tendências. Ou seja, quase quarenta por cento destes consumidores estão ativos no consumo que protege, que preserva, que cultiva o meio ambiente e as comunidades produtoras ligadas a atividades sutentáveis.

Já a realidade do consumo no Brasil está distinta, em 2005, o consumo de produtos orgânicos e sustentáveis e atitude em relação à energia, combustível, lixo, reciclagem e outros, tinha 7% de engajados e conscientes, e este número diminuiu para 5% em 2009, e permanece assim até hoje.  Assim, uma das formas de atingir adultos e crianças seria mostrando ao próprio consumidor brasileiro como está a sua ação atual de consumo, comportamento e atitude em relação às diversas questões relacionadas a consumo, impacto social e ambiental, onde começa um ciclo virtuoso de consumo, com objetivos de preservar e circular produtos sustentáveis.

A Akatu chegou ao seguintes tipos de consumo: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes

“Esta é uma ferramenta que permite avaliação e tomada de consciência para a transformação de hábitos. Isso é essencial para provocar a mudança na direção de estilos mais sustentáveis de vida”. Que tal vc fazer um teste agora mesmo? http://www.akatu.org.br/Temas/Consumo-Consciente/Posts/Instituto-Akatu-lanca-nova-plataforma-para-o-Teste-do-Consumo-Consciente
<acesso em 12 de janeiro de 2015>
Olha só o resultado do meu teste de consumo: http://tcc.akatu.org.br/index/img?url=facebook%2Fperfil-consciente.png

O outro modo  é disseminar ações necessárias pra adquirirmos a condição de sustentar as ações positivas, e são elas:

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Vamos divulgar? abraço

Sobre o Mercado e Consumo…estruturando a mudança

Como o consumo poderia repercutir positivamente com o planeta e o social?

por Bernadete Brandão e Rafael Souza

 

Vc sabia que no Brasil, apenas 5% dos consumidores são conscientes?  Na Europa, os números da pesquisa sobre Consumo, mostram maior engajamento: 18% de Ativistas, compreendendo o grupo de Engajados, Responsáveis e Preocupados, que tem como característica serem profundamente comprometidos, e portanto, exigem qualidade na informação e evidência sobre a confiança; há o grupo de Otimistas, em 21%, os quais são compromissados e aspiram sentir-se bem – compreende o grupo de pessoas interessadas, confiantes e as que seguem a moda e as tendências. Ou seja, quase quarenta por cento destes consumidores estão ativos no consumo que protege, que preserva, que cultiva o meio ambiente e as comunidades produtoras ligadas a atividades sustentáveis.

E então, sentimos a grandeza e importância de trazermos atividades, projetos, serviços e produtos eco-sustentáveis, objetivo principal do curso Programa de ECODESIGN, como uma forma de ativar um ‘círculo virtuoso de produção e consumo’ e oferecer ao consumidor oportunidade de participar positivamente através de seu ato.

Após os módulos de Ferramentas em Ecodesign e Inovação Social, quando pudemos refletir sobre diferentes metodologias para identificar grupos inovadores e desenvolver estratégias de inovação para a sustentabilidade, contamos com toda a experiência do mestre em Design de Produtos Sustentáveis e pesquisador em Design Universal e para a Saúde, Márcio Dupont, facilitando o módulo 6 do Programa de Ecodesign: O Mercado e O Consumo.

Grupo de aula com Márcio Dupont na Loja Album Hits. Participando em nós mesmo a mudança de consumo: Café compartilhado enriquecendo a todos

Grupo de aula com Márcio Dupont na Loja Album Hits. Participando e sendo nós mesmos a mudança de consumo: Café compartilhado enriquecendo a todos

Neste módulo tivemos a experiência criativa em dois novos espaços! Durante a quinta e sexta a noite fizemos uma transformação na Loja Álbum Design Hits, da nossa querida aluna Gabi Garcez e seu companheiro Vinicius, em sala de aula. No sábado foi a vez de compartilharmos o belo espaço da aluna Manuela Lamego, para concluirmos o nosso módulo!

Marcio separou sua aula em 3 momentos, conceituando primeiramente o Design propriamente dito e as qualidades intrínsecas, destacando que originalmente, o social e meio ambiente sempre fizeram parte dos métodos, dentro da perspectiva da sustentabilidade e da universalização do acesso à área, para posteriormente falar sobre Mercado, citando e aprofundando as questões referentes à sustentabilidade nas empresas e projetos, apresentando modelos inadaptáveis, e também os adequados, a exemplo do mercado ético e responsável – o Fair Trade, bem como a sustentabilidade interna e externa das empresas, e como a prática do Ecodesign pode contribuir e promover o alinhamento.

No sábado, para concluir a facilitação de nosso professor, trabalhamos a o Consumo visando a sustentabilidade, em formas de comunicação para o consumo consciente – usando por exemplo, a História do Produto’, a rastreabilidade de produtos e selo, círculo virtuoso de consumo, entre outros conceitos que vem trazendo forma e estrutura para o desenvolvimento do Mercado de Consumo Sustentável.

Além disto, para fechar o módulo 6, fizemos um processo de produção criativa para construirmos, colaborativamente, nossa obra para participar da seleção Bienal de Florianópolis, que será realizada em Maio de 2015.

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Da esquerda para a direita, Márcio ensinando com despojamento na loja Album Hits, da designer de moda  Gabi Duarte e no escritório da designer de interiores, Manuela Lamego.

Agora, continuaremos trabalhando todos os novos conceitos percepções do Ecodesign em nossas tutorias, enquanto nos preparamos para o módulo 7 de nosso programa: Economia e Ecodesign!

 

A experiência especial trazida por Cyntia Malaguti no Módulo 3: Ética para o Futuro.

Saiba como foi para nós, a experiência especial trazida por Cyntia Malaguti no Módulo 3: Ética para o Futuro.

No último dia 17 demos início ao terceiro módulo de Programa de Ecodesign, e neste módulo foi a vez da Designer Cyntia Malaguti falar sobre Ética para o futuro.

 

Aprofundamos no entendimento da Ética e a importância desta para a construção de valores na sociedade, discutimos sobre o impacto destes valores em relação à sustentabilidade e desenvolvimento,  quais as implicações desses para o design. Foram trazidos diversos casos reais de construção coletiva de valores dando sentido a ética, assim como ‘dilemas’ para serem refletidos, e alguns casos de ‘falta de valores e impedimento de participação do coletivo.

Como foi que chegamos ao ponto que estamos, no consumo e na falta de contato com os processos e a natureza?

Como é o caso do MAR DE ARAL desastre ambiental ocorrido na Ásia Central, resultado do processo de irrigação das estepes para o plantio desordenado de algodão – na forma de monocultura, e que transformou a região do Mar de Aral em um imenso deserto, gerando sérios impactos ambientais e sociais. [veja em https://www.youtube.com/watch?v=ZvB3YC67Y1w]

Em contrário, Cyntia nos trouxe um filme divertido mostrando a construção de uma ética durante uma situação que atinge uma comunidade: O filme DOT.COM, filme português que fala de interesses e direitos de um site de um pequeno vilarejo e os interesses uma grande empresa espanhola de água que acredita ter a prioridade do nome patenteado da marca. Muito bom! [disponível na internet: https://www.youtube.com/watch?v=3j0AiyKr-Ag]

Cyntia nos mostrou também no processo histórico do Design os aspectos da ética, desde movimentos ocorridos no início da revolução industrial, com John Ruskin e Willian Morris, até movimentos atuais. Apoiado em requisitos sócio-ambientais desde o início, mostrando os principais precursores e contextos, bem como seus dilemas éticos e as propostas, mostrando casos práticos e aplicação da ética no design para a sustentabilidade.

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Além do módulo do programa de Ecodesign, a professora também facilitou o workshop Inovação e Valores. Design: saia da sala de espera! onde abordou o tema sobre a postura do designer na geração da inovação e a importância em se reconhecer o ambiente, sua cultura e valores antes de determinar a linguagem de um projeto. Nisto trouxe o exemplo de Tomáz Maldonado para balizar uma ética para projetos.

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Um trabalho de extrema importância para a formação deste novo grupo de ecodesigners que está se formando!

Agora com toda está bagagem, que é aplicada com práticas  em nossas tutorias semanais, seguimos para o próximos módulos com Bernadete Brandão, falando sobre Ferramentas para o Ecodesign (inscrições abertas, para saber mais clique aqui), , Liliane Iten Chaves na Inovação social e Marcio Dupont – o Mercado e o Consumo!

Vamos participar no próximo módulo?

Para se inscrever, clique aqui.

Dúvidas ou mais informações, entre em contato com a gente: contato@designaovivo.com.br ou através do cel 41.96271914 [tim] e 41.30164877

 

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Captura de Tela 2014-07-11 às 16.36.17

Entrevista

Ferramentas em Ecodesign

EntrevistaFerramentas em Ecodesign: Como saber se o meu projeto é sustentável?

Neste módulo iremos mostrar diferentes ferramentas que poderão ajudar e perceber o quanto seu projeto está impactando ou não o meio ambiente e o social.

Com foco em promover conhecimentos para que os projetos sejam cada vez mais éticos e sustentáveis, o Programa de Ecodesign traz agora no seu quarto módulo: Ferramentas em Ecodesign.

Uma série de ferramentas serão trabalhadas para diagnosticar, avaliar, criar e indicar ações em produtos, processos e sistemas e dar condições de mudanças no mercado e consumo. Como levantar, cruzar e integrar dados para aplicação. Levantamento de indicadores e diagnóstico. Matérias primas, processos tecnológicos industriais, certificações, consumo e geração de resíduos. O conceito de parques eco-tecnológicos.

São diversas ferramentas e metodologias: ACV – Análise de ciclo de vida, GER – Gerenciamento de resíduos, MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, CRADLE TO CRADLE; e metodos utilizadas para a Sustentabilidade: PSS – Politécnico de Milão, The Natural Step, a Pegada Ecológica, Zeri, DLIS e outros. E mais: os métodos criativos como o Biomimetismo (para saber mais sobre Biomimetismo, clique aqui), para soluções inovadoras baseadas na natureza.

Essas temáticas serão apresentadas pela coordenadora do curso Bernadete Brandão, para os alunos que já estão participando do Programa e para os que querem começar agora. Na verdade, a Design ao Vivo oferece esta opção de engajamento durante o curso para um aperfeiçoamento ou atualização, cada aluno escolhe quais módulos quer participar de acordo com a sua necessidade.

Uma ótima oportunidade para quem quer se atualizar, buscar novos conhecimentos e trocar experiências com um grupo muito bacana.

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Dúvidas? Converse com a gente, estaremos felizes em respondê-los:
contato@designaovivo.com.br

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