Contemplação – o relato de um Slow Designer

O Slow Design é um convite para contemplar o verdadeiro ritmo das coisas, observar e observar-se. Vivenciar o processo de produção de um produto por completo, com atenção.

Alexandre Linhares, designer de moda e participante da edição 2014/2015 do Programa de Ecodesign, nos brindou com um belo relato sobre o seu trabalho. Sobre viver a construção de uma peça de roupa como um artista compõe uma poesia.

 

Abertura do desfile IDFashion, dia 29 de setembro de 2017, modelos com roupas coloridas se referindo às ‘bandeirolas de orações tibetanas’ com frases de mensagem ligadas ao ‘acolhimento, oferta, estrutura, limite e transformação’ para se propagarem no mundo

“Neste momento contemplo o slow.

São 1:36 a.m. e me vejo sentado numa cadeira Cimo, bordando uma Nossa Sra. Aparecida para nosso desfile “de 10 anos de trabalho”, daqui duas semanas. O motivo de estar sendo bordada essa hora, em casa, é porque ela alude à primeira peça, que sintetiza o início da marca, bordada pela Thifany numa camiseta que “apareceu para aos olhos certos” e fez nosso trabalho acontecer.

Essa peça foi bordada pouco a pouco, todas as noites, quando minha companheira chegava do trabalho e seguia na finalização das peças confeccionadas naquele dia. A Santa transpassou semanas de bordado, minuciosamente executada à noite, em casa.

 

 

Vestido Nossa Sra. de Aparecida – abertura do desfile “Poesia Desilusoria” no IDFashion

No desfile, ela virá maior, preta e branca, pintada num vestido amplo feito com metade de um lençol muito antigo, de algodão, que ganhamos da poetisa Priscila Prado. As dimensões e emoções já são outras, mas o bordado por cima da imagem será o mesmo da década passada, com o mesmo preciosismo e a mesma atmosfera na criação: bordada em casa, depois de chegar do trabalho, depois de tomar banho, com uma caneca de chá ao lado. Constantemente, me é questionado o porquê de o trabalho ser feito desta forma, nesse ritmo, a esse custo, com essa carga emocional. E a única resposta que me brota é a de que “é assim que me faz sentido”.

Sei que o mundo é outro do de 10 anos atrás, eu sou outra pessoa e minha companheira é outra pessoa também, mas o brilho da intenção da peça se materializar é o mesmo. Quanto ao lençol de algodão que dá corpo à obra, ele já era antigo há 10 anos, já não era mais usado e já era guardado com memória. Toda a memória e todas as histórias de amor vividas em cima dele, pessoas feitas, o tempo que ele ficou na mão da primeira bordadeira que, num “avesso-perfeito”, bordou as iniciais da noiva, de que agora me aproprio e estou quase “pixando” um patrimônio, com a interferência de Nsa. Sra. Aparecida, tudo isso vai entrar na passarela com a gente nesse momento e é tudo isso que vai suportar a imagem de uma santa bordada à mão em casa, por noites a fio. Não é um vestido de tecido branco bordado.

O slow não foi me ensinado, ele me apareceu. Foi assim que sempre me foi possível de ser feito.

Quando eu entrei na escola Design ao Vivo, percebi que o modo que eu construía o meu trabalho é bem semelhante a outros tantos processos de outros criadores e que este processo é chamado de “Slow”, “slow design, slow fashion, slow food, slow life” que vem de encontro ao “fast” do “fast-fashion”, por exemplo.

Esse processo é distinto de modismo, não vem de gosto ou vontade, ele é uma forma de viver e de se relacionar com o mundo. Um leque se abriu e a poesia da construção de cada peça, dessa forma, é o combustível e a razão da execução do trabalho.”

Com este belo relato,  nós lhe convidamos para Laboratório de Slow Design que se inicia este mês.

O laboratório tem início dia 10 de outubro e dia 02 foi realizada uma palestra especial para apresentar o curso, que vc pode conferir na íntegra AQUI:

Sentiu o chamado?Então inscreva-se no link!
https://designaovivo.typeform.com/to/QvfpvL

Saiba mais em:
http://www.designaovivo.com.br/slow-design-lab/

 

Alexandre Linhares é formado em Design de Produto pela UFPR e atua como criativo na H-AL. Participou do Programa de Ecodesign na Escola Design ao Vivo, em 2014/2015. Tem sua produção focada em peças de arte vestíveis, feitas da maneira mais respeitosa possível com o planeta e o meio vivo, se utilizando de descarte, tecidos rejeitados pela indústria e reaproveitamentos de outros suportes.

Slow Design em Londres – Palestra com Luan Valloto

 Por Bernadete Brandão

Imagine saber notícias diretamente de Londres, como se você mesmo estivesse por lá?

Design Museum, Victoria and Albert Museum, lojas de Slow Fashion, ah! De cara há uma visita frustrada na Casa Vermelha, casa onde morava o principal ativista do movimento ARTS AND CRAFTS, Willian Morris. Pra compensar, passar no museu dedicado em sua homenagem, que contém seus desenhos, tapetes, tecidos florais e um sem número de ‘tipos’ de uma tipografia manual criados por ele. Experiências de “tirar o fôlego”,  como descrito por Luan na minha conversa com ele, contando detalhe por detalhe.

 

Exposição “FEAR AND LOVE” no Design      Museum – Aberta até abril de 2017.

A exposição “Fear and Love: Reactions to a Complex World”, que acontece até abril de 2017, tem alguns designers em destaque e questionamentos atuais ligados a intersecção entre a tecnologia o a natureza, através da Biomimética de Neri Oxman, ou a delicadeza da criação da designer chinesa Ma Ke no tema Terra, a inovação de designer Christien Meindertsma’s de reciclagem textil, entre outros.

https://designmuseum.org/exhibitions/fear-and-love

 

 

 

 

Exposição “FEAR AND LOVE” –  obras das designers Neri Oxman, e da chinesa Ma Ke

 

Na abertura das atividades do Programa de Ecodesign Luan Valloto irá ministrar a palestra Slow Design em Londres, em que trará experiências e pesquisas sobre Slow Fashion, Design e sustentabilidade.

Luan Valloto é especialista em Moda e Gestão e em Ecodesign, com Graduação em Design de Moda. Pesquisas na área de Slow Fashion, Moda Ética, Sustentabilidade, Artes manuais, valorização do território, o Vestir no Contemporâneo e Futuro.

SERVIÇO:

PALESTRA
Dia: 13 de março
Horário: das 19h00 às 21:30
Endereço: Design ao Vivo
Rua Dom Alberto Gonçalves, nº 556 esquina com Paulo Graeser Sobrinho, Mercês.

INSCRIÇÃO:
https://designaovivo.typeform.com/to/ysvsZQ

Troca financeira:
Sugerimos a prática da troca financeira escalonada na qual os participantes contribuem de acordo com as suas possibilidades. Os valores sugeridos são:
R$ 30 (valor integral)
R$ 15 (valor mínimo)

Não deixe que a troca financeira impossibilite sua participação. Fale conosco sobre outros tipos de troca.Sejam bem vindo(a)s!

CONTATO:

E-mail: contato@designaovivo.com.br

Tel/Whatsapp: 9-8818-9989 (Bernadete)

 

 

 

 

 

Projetos para um mundo em transição

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A Design ao Vivo, em parceria com o IBQP – Instituto Brasileiro da Qualidade convidam:

Neste dia  27 de Agosto, das 19:00 às 22:00 na  sede do IBPQ,  convidamos você para palestra Sustentabilidade e Ecodesign – Ideias para um mundo em transição. Na ocasião será a oportunidade para palestra de abertura do curso de ECODESIGN, turma 2015/2016.

“Como utilizar a criatividade e o Design para gerar ideias e inovações para os desafios do novo momento socioeconômico que vivemos no país e no planeta?”

No evento, além da palestra inaugural de Bernadete Brandão, fundadora da Design ao Vivo, vamos apresentar os projetos desenvolvidos pelos Especialistas formados no curso do ano anterior. Os projetos foram desenvolvidos em conceitos e ferramentas mais atuais em Design com base em Parâmetros de Sustentabilidade reconhecidos mundialmente e trazem soluções para diferentes áreas da indústria e serviços.

E são eles:

– Alexandre Linhares l INOVAÇÃO SOCIAL E MODA
– Henrique Godeny Martins l VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO
– Luan Rodriguez Valloto l MODA ÉTICA E ARTESANATO REGIONAL
– Daniela Teodósio l DESIGN PARA [DES]CONSTRUÇÃO
– Gabriela Garcez Duarte l MODA ÉTICA PARA UM CONSUMO CONSCIENTE’
– Rafael Souza l CO-CRIAÇÃO, ECODESIGN E MODELOS COLABORATIVOS NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Um evento para empreendedores, acadêmicos e aspirantes a Ecodesigners na nova turma, mas acima de tudo, criativos em busca de inspirações para a geração de ideias inovadoras que gerem impacto na economia, sociedade e meio ambiente!

Sua participação enriquecerá muito o evento, além de  fortalecer e consolidar a parceria entre o IBPQ e  Design ao Vivo.

Sustentabilidade e ecodesign – Ideias para um mundo em transição ou Carta aberta aos ecodesigners

abraço na vovó

 

Nos dias 25 e 26 de Junho realizamos apresentação de trabalhos Sustentabilidade e Ecodesign – Ideias para um mundo em transição. Este evento marcou o final do Programa de Ecodesign e a oportunidade de apresentar para a sociedade os  projetos de conclusão de curso dos alunos do programa.

Pensando melhor…foi muito mais que isso. O evento mostrou ideias de soluções para os desafios que se apresentam para o planeta, mostramos a “energia” que nos guiou de Maio de 2014 à Junho de 2015.

Durante o curso entendemos que, antes de qualquer potencial de criatividade, inovação, co-criação ou qualquer conceito que esteja em alta no mundo do Design, Empreendedorismo e etc, é necessário um novo olhar sobre nossa caminhada pela Terra. É necessário um olhar ao mesmo tempo crítico e apreciativo sobre as motivações para com o mundo e nossas ações enquanto agentes de transformação das nossas vidas e das vidas as quais impactamos, direta ou indiretamente.

Ferramentas de Design, Instrumentos de Gestão e Criação são como o nome já diz, ferramentas, instrumentos, apenas. Quem os guia são mãos e braços orientados por mentes e, acima de tudo, pelo coração, pela nossa consciência e sensibilidade em relação ao que e a quem estamos influenciando com estas ferramentas e habilidades. Cada um de sua maneira, através de sua expertise, apresentaram o que estavam em seus corações e mentes ao usarem suas habilidades e conhecimentos apreendidos no Programa de Ecodesign.

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Alexandre em performance costurando uma roupa de resíduos em tempo real com Thifany, enquanto um vídeo relata o processo de seu trabalho e o uso das ferramentas, dados, e conclusões – Matemática dos benefícios em Ecodesign

Alexandre Linhares, designer de moda conhecido por seu grande talento e sua habilidade de trazer a essência de cada pessoa que veste as suas roupas, apresentou a criatividade com a qual guia seus trabalhos na forma de se expressar.

Enquanto a apresentação de seu projeto acontecia, em formato de vídeo, o Designer e sua companheira Thifany, que o acompanhou em diversos momentos do curso, confeccionaram uma blusa feita com resíduos da indústria têxtil. 22 minutos onde pudemos ver sua sensibilidade em relação à sociedade e o meio ambiente e sua habilidade em transformar sua consciência em impactos positivos para o mundo.

Seu projeto INOVAÇÃO SOCIAL E MODA demonstrou os impactos da reutilização de resíduos da indústria têxtil em diferentes dimensões da sustentabilidade. Chamou a atenção também para a utilização da moda como ferramenta de inovação social e conscientização para um dos temas mais debatidos em nosso país na atualidade: O respeito à diversidade.

Alexandre demonstrou também que é sim possível realizar grandes espetáculos de moda ética através da criatividade, mobilização e engajamento de sua rede, com ferramentas como o crownfunding e parcerias com empresas e profissionais de diferentes áreas.

Na sequência, o também Designer de Moda, Luan Valloto apresentou o projeto MODA ÉTICA E ARTESANATO REGIONAL. Um projeto que trouxe a importância de se resgatar os conhecimentos de tradicionais como forma de valorizar o território e a diversidade cultural existente em nosso país.

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Surpresa na apresentação das peças da colação “Semente”

A sensibilidade e olhar apreciativo apresentada por Luan durante todo o curso ficou muito clara na criação de sua nova coleção “Semente”. Inspirada no Biomimetismo e, por meio da observação atenta dos elementos de uma árvore, Luan captou toda a riqueza de diferentes formas de vida e, consequentemente, a imensa variedade de cores, texturas e formas para criar as peças de sua coleção. Dois elementos muito presentes em seu projeto foram também o cuidado em relação ao tingimento de suas roupas, todas feitas com elementos naturais, como cúrcuma, erva mate, espinafre entre outros e a valorização do artesanato regional. Suas peças foram produzidas todas manualmente, por meio de técnicas como a tapeçaria, crochê e tear e em várias mãos e olhares, de grandes artesãs e artistas residentes em Curitiba.

Para finalizar as apresentações de quinta, foi a vez de conhecemos o projeto VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO, de Henrique Martins. Henrique propôs uma importante reflexão acerca da influência DE certos comportamentos sociais  má destinação de resíduos. A começar com uma ruptura paradigmática sobre o próprio conceito de “lixo”, demonstrando que em ambientes naturais isto simplesmente não existe, Henrique mostrou que o que entendemos como um problema pode ser uma grande oportunidade para geração de renda e alimento em escala local.

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VALORIZAÇÃO DO RESÍDUO ORGÂNICO – e a importância do engajamento comunitário

Por meio de um profundo passeio pela real situação em relação à geração e destinação de resíduos no Brasil, pudemos compreender como fato da nossa estrutura social nos desconectar de um senso de comunidade local pode contribuir para a problemática dos resíduos.  Através da utilização de espaços particulares e públicos, como terrenos baldios  mal aproveitados ou subutilizados e do engajamento local, ferramentas de gestão colaborativa, a destinação de resíduos orgânicos poderá ser descentralizada e reciclada na própria região onde foi consumida, diminuindo a pressão sobre os aterros municipais e propiciando a oportunidade de gerar alimentos de alta qualidade para a própria comunidade, além de influenciar significativamente na dinâmica social, o que poderia influenciar na preservação do espaço público e até mesmo na segurança destas comunidades.

“Não se faz sustentabilidade sozinho”

Na sexta feira foi o dia das apresentações da Designer Gabriela Garcez e da Arquiteta Daniela Teodósio e o biólogo Rafael Souza. Foi a oportunidade de demonstrar que os conhecimentos do Design e do Ecodesign não são apenas para Designers e sim para qualquer área, pois muitos destes conhecimentos trazem habilidades para justamente utilizarmos de variadas perspectivas para gerar boas ideias de produtos e serviços.

Nossa primeira aluna a se apresentar foi a Arquiteta Daniela Teodósio. Daniela, que além de arquiteta é professora universitária, trouxe propostas para os desafios da geração de resíduos da Construção Civil. Daniela propôs um DESIGN PARA A DESCONSTRUÇÃO, por meio de uma ferramenta colaborativa de compartilhamento de resíduos de demolição. A ideia da construção de uma plataforma para o compartilhamento de produtos e serviços vem da experiência direta com os diferentes fatores que contribuem para uma geração de resíduos que chega a ordem de 80 milhões de m³ ao ano. A falta de cuidado e planejamento na hora de construir, reformar e demolir contribui para uma grande perda de matérias que poderiam ser reutilizados para outras construções, vem em grande parte pela falta de cultura de reaproveitamento e, mesmo para quem possui a consciência de reaproveitar estes resíduos, a dificuldade em encontrar meios para destiná-los de forma correta.

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Detalhes da pesquisa desenvolvida por Daniela que inspiraram o desenvolvimento da plataforma

A ferramenta propicia uma maior conectividade e interação com diferentes atores sociais envolvidos com a temática da construção, facilitando o   processo de reaproveitamento de inúmeros produtos. Além disto, a ferramenta poderá propiciar uma troca de serviços e  experiências, se traduzindo não apenas em uma plataforma de compartilhamento como também uma ferramenta educativa para uma mudança de cultura dentro da área.

Após a apresentação de Daniela,  foi a vez de Gabriela Duarte, Designer e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a PUC, trazer a aplicação dos conceitos e conhecimentos do Programa de Ecodesign em sua vida como empreendedora. Seu projeto, chamado VAREJO E MODA ÉTICA trouxe estratégias para o comércio de roupas dentro do varejo para fomentar uma cultura de cuidado com todas as pessoas envolvidas na cadeia produtiva  das confecções, bem como com o meio ambiente impactado pelas indústrias.

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Gabriela apresentou seu espaço, a loja Álbum Design Hits, um espaço super criativo e charmoso, que recebeu 3 dos 13 módulos do Programa de Ecodesign. Presenteando os participantes com um fanzine, a designer mostrou a importância da comunicação interna e externa de sua loja e como é possível influenciar toda a cadeia produtiva através de ferramentas criativas, como o Storytelling. Um projeto super interessante por apresentar a possibilidade de melhorar as condições socioambientais de produtos de produtos que estão atrelados a uma produção industrial.

 

Para finalizar as apresentações, o biólogo Rafael Souza trouxe uma nova proposta de educação, a ABORDAGEM 8.. Inspirada em conceitos como Jogos colaborativos, Ética e ecologia profunda, Educação transpessoal e ferramentas de ecodesign, Design Thinking e Gestão Colaborativa de Projetos, a proposta tem por objetivo auxiliar na formação humana em relação ao seu papel como agente de transformação do planeta Terra e utilizar como estratégia para a oferta de serviços a Politica Nacional de Educação Ambiental.

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Rafael mostrando a verdadeira motivação para desenvolver o seu projeto

A escolha pela abordagem vem da necessidade de criar uma estrutura que seja, ao mesmo tempo firme, por trazer conceitos que abrangem a existência humana dentro de uma visão transpessoal (contemplando sua relação com o mundo em todas as dimensões) e flexível, permitindo que seja trabalhada de forma eficiente em diferentes contextos socioculturais. O conceito do Sistema Produto e Serviço conta ainda com manuais sobre a abordagem e de dinâmicas colaborativas, que ficarão disponíveis de maneira gratuita para a sociedade.

Ética – do Grego Ethos ou bom costume, “portador de caráter”, significa a fundamentação da moral, da obediência à costumes e hábitos com os quais somos criados por meio da razão e da reflexão sobre a importância de se compreender e sentir o meio no qual estamos inseridos antes de adotarmos posturas e hábitos mimetizados de outras culturas e/ou outros tempos.

O momento de hoje pede uma ética que seja universal, que leve em consideração a maneira com a qual nossas ações impactam o mundo em escala global e compreender como assumir está postura, que parte de uma visão cada vez mais ampla em relação à nossa vida como espécie, e aplica-la de maneira local, através de um recorte de contexto, por onde podemos impactar vários outros contextos.

Podemos dizer que os frutos do Programa de Ecodesign, expressados na forma de projeto, traduzem a essência deste curso, cujo objetivo é maior que apenas apresentar ferramentas e conhecimentos para aplicarmos fundamentos profundos de sustentabilidade em qualquer tipo de projetos e sim o de construir um novo profissional, que tenha não apenas os instrumentos e habilidades necessárias para a prática de projetos visando o atendimento de padrões de sustentabilidade, mas que tenha olhar, o pensamento e o coração de quem sabe o significado e a importância de trabalhar seguindo está conduta.

Finalizamos o curso, mas muito além de um fim, este é apenas o início de uma grande jornada que nós, agora profissionais especialistas em Ecodesign teremos pela frente, ao colocarmos em prática tudo o que vivenciamos ao longo deste último ano. Somos um pouco mais responsáveis agora pelo mundo que deixaremos quando nossa jornada terminar, responsáveis por não deixarmos esta experiência ficar apenas em nossas mentes e corações e sim, que possamos aplicá-la, compartilhá-la e replicá-la da melhor maneira possível em benefício de todos os seres.

Gratidão imensa à todos os alunos, professores e parceiros deste curso.

Em especial à nossa grande mentora Bernadete, por sonhar, planejar, realizar, celebrar e principalmente, viver este belo movimento que se chama Ecodesign.

Que seja apenas o início de uma bela jornada para todos!

“O valor do resíduo e da consciência no consumo” – Confira o segundo dia dos Seminários em Ecodesign!

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Seminários em Ecodesign

No dia 11 de Junho foi realizado o segundo encontro dos Seminários em Ecodesign.

Tendo como  tema “O valor do resíduo e da consciência no consumo”, o evento teve a presença da  Mestre em geologia ambiental UFPR, especialista  consultora para implementação de estratégias para sustentabilidade corporativa e responsabilidade socioambiental, Ana Lizete Farias  e Luiz Reis, especialista em Arquitetura Bioambiental,  Luiz Reis ganhador do Prêmio Movelsul, IBAMA Madeiras Alternativas e autor de projetos como Ar Condicionado Natural e Casa Bioclimática, comentando em relação a questão do consumo e da geração de Resíduos a partir de suas áreas de especialidade.

Além da presença dos dois especialistas, a roda de conversa contou  também com a presença dos formandos no Programa de Especialização em Ecodesign, os designers Gabriel Garcez Duarte e Alexandre Linhares e da Arquiteta Daniela Teodósio, apresentando seus projetos na área de Ecodesign.

O evento abrangeu uma grande esfera de dimensões na qual a temática dos resíduos e da consciência em relação à questões socioambientais estão inseridas.

Luiz Reis, dissertou sobre a importância de se pensar em questões climáticas no processo de construção civil e como uma avaliação das condições ambientais pode impactar em uma maior ecoeficiência dos espaços construídos.  O especialista apresentou o projeto da Casa Bioclimática, comentando sobre os ganhos as vantagens em aproveitamento da luz do sol e os ganhos em energia térmica e iluminação que podem suplantar a necessidade de ar condicionado e aquecedor. A casa, que apresenta um visual arquitetônico arrojado e com linhas bastante acentuadas, foi toda calculada para se obter um maior aproveitamento possível da iluminação e condições térmicas. O projeto da casa propicia uma condição climática que dispensa o uso de aquecedores, ventiladores e ar condicionado.

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Luiz Reis e sua casa Bioclimática – Créditos da Imagem: Gazeta do Povo

Após a apresentação de Luiz Reis, foi a vez da mestre em Geologia Ambiental e especialista em Socioambiental, Ana Lizete, apresentar as relações entre consumo e Psicologia.

Ana fala da percepção das pessoas sobre os resíduos, de uma desconexão sobre os impactos ambientais da má gestão de resíduos. O resíduo, na perspectiva da natureza, não significa resíduo, é uma ‘construção’ feita pelo ser humano. Trazendo referências de grandes nomes da psicologia, como Sigmund Freud e Zygmunt Bauman, a especialista comentou também sobre o que é o consumo consciente, questionando a existência de uma real consciência de consumo e de como vem sendo utilizado como estratégia para se atender a determinadas necessidades não mais atendidas através de nossas relação com o mundo.

Ana Lizete em fogueira de Confraternização do grupo

Ana Lizete em fogueira de Confraternização do grupo

” Da mesma forma, o modo como tratamos nossos bens de consumo e o seu processo de produção, uso e descarte é semelhante com a forma com a qual nos comportamos e relação às pessoas. E ainda, que desaprendemos a cuidar e reparar produtos que se quebram ou envelhecem com o tempo, nossas relações sociais também estão cada vez mais frágeis e efêmeras”

Além das palestras, tivemos também a apresentação do processo de desenvolvimento dos projetos dos alunos formandos do Programa de Ecodesign. O primeiro projeto, apresentado por Alexandre Linhares, trouxe como tema a Inovação Social e a História Contada, relatos através  da roupa apresentando sua marca Heroína, onde trabalha seguindo três pilares: valorização da cultura local, utilização consciente de matéria-prima, utilizar o suporte têxtil como plataforma de discussão. O Ecodesigner falou sobre sua última produção, apresentada no evento “Muitas Caries nesta Boca Maldita”, um desfile realizado no espaço de bastidores do palco do Teatro Guaíra, no qual, através de Gilda, personalidade marcante do cenário curitibano da década de 60 trouxe variados questionamentos a respeito da massificação da moda, a violência sobre transexuais e homosexuais, além de inúmeros conceitos, que fizeram de seu desfile uma grande representação de um novo momento para o cenário de moda.

Foto: Daniel Sorrentino / clix.fot.br - crédito obrigatório

Muitas Cáries Nesta Boca Maldita – Desfile de coleção 2015 por Alexandre Linhares, aluno do Programa de Ecodesign – Créditos da Imagem: Gazeta do Povo

Na sequência, ainda falando sobre moda, Gabriela Duarte Garcez apresentou dados sobre a problemática da indústria moda atual, principalmente em relação às metas para se otimizar o processo produtivo e aumentar o lucro das empresas, trazendo graves consequências para a natureza, a água, a qualidade de vida e valorização do trabalho humano. Gabi mostrou dados sobre a exploração de jovens e mulheres no trabalho ‘escravo’, em diversos países da Ásia e África, aspectos que não são visíveis quando a roupa é comprada em grandes lojas urbanas à preços módicos. Apresenta proposta de solução para a desvalorização da mão de obra humana e os impactos socioambientais cometidos por esta esfera de economia, a Moda Ética, que tem como princípios a valorização e transparência da cadeia produtiva, aplicando-se na prática, em produtos comercializados por ela, na loja, a Album Design Hits.

Gabi, falando sobre a Moda Ética, e a importância de valorizar o produto e a cadeira produtiva e seres por trás da roupa

Gabi, falando sobre a Moda Ética, e a importância de valorizar o produto e a cadeira produtiva e seres por trás da roupa

Em seu espaço, no qual também faz parte a loja de discos de seu companheiro, Vinil Velho, “com base nos valores éticos dos seus proprietários, o local visa contribuir com o Design e seu entorno socioambiental, trazendo uma comunicação atual e compassiva que aproxima e conecta mais as pessoas”.

Segundo a Designer, que atua como professora na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, seu projeto pretende conscientizar o consumidor socialmente e valorizar o Design de Moda como um todo, tendo como ponto de partida o varejo e a experiência em comprar roupas.

Para concluir as apresentações, Daniela Teodósio, Arquiteta e Especialista em Gerenciamento de Obra, trouxe como tema os impactos da geração de resíduos da Construção Civil. Através de dados sobre os impactos gerados pelos RCC – Resíduos da Construção Civil e RCD – Resíduos de Construção e Demolição, Daniela mostrou como a “extração massiva de recursos para a utilização na construção civil não contempla o tempo de resiliência do planeta”. A arquiteta, que também é professora universitária, apresentou algumas iniciativas na área, como a reciclagem desta categoria de resíduos, iniciativa que, mesmo com utilização em máxmo potencial, contemplaria apenas o equivalente à 1% do total de resíduos gerados, somente em nosso país.

Como proposta de solução para a questão dos resíduos, Daniela está desenvolvendo o “Design para Desconstrução – Um espaço para a colaboração Coletiva. O projeto visa “transformar a ideia de uma construção civil DESTRUTIVA e passar a contribuir CONSTRUTIVAMENTE com a própria cadeia produtiva” e “elevar a condição do resíduo em recurso” , evitando o desperdício do recursos já retirados da natureza” através de um “Espaço de comunicação e troca de produtos específicos  fomentando a Autogestão e Autoresponsabilização pelo que for realizado. Uma dos comentários em relação ao projeto foi sobre a possibilidade de se estabelecerem parcerias com diferentes stakeholders envolvidos com a temática, colocando o projeto como uma oportunidade das empresas atenderem à demandas da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que traz como uma das exigências a serem cumpridas pelas empresas, a Responsabilidade Compartilhada pela Logística Reversa dos produtos comercializados.

Daniela expondo sobre resíduos da Construção Civil e formas alternativas de solução

Daniela expondo sobre resíduos da Construção Civil e formas alternativas de solução

O seminário, que trouxe grandes debates, serviu de boa inspiração para a finalização dos projetos dos formandos no programa. A apresentação final dos projetos aconteceu nos dias 25 e 26 de Junho, das 19:00 às 22:00 na UPE – União Paranaense dos Estudantes – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1157 São Francisco – Curitiba

Novo evento está agendado para o dia 27 de agosto, das 19 às 22 horas, no IBQP. O evento será gratuito e as inscrições podem ser feitas através do contato@designaovivo.com.br

O endereço do IBQP é R. Dr. Corrêa Coelho, 741 – Jardim Botânico, Curitiba

Todos são bem vindos!

Confira como foi o primeiro dia do Seminário em Ecodesign!

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Seminários em Ecodesign – Ações práticas em sustentabilidade: equilibrando pessoas, lucro, e a natureza para um planeta livre

 

No último dia 28 a Design ao Vivo realizou o primeiro dia do Seminário em Ecodesign – “Ações práticas em sustentabilidade: equilibrando pessoas, lucro, e a natureza para um planeta livre”.

Houve a presença de estudantes, profissionais de várias áreas e de representantes da Fundação Cultural de Curitiba, Aulio Zambenedeti onde o tema tratado foi “Educação, Ciclo de Vida e Valores”.

A Roda de Conversa contou com a participação do Biólogo formado pela UFPR e Empreendedor Fabiano Franciosi, a Pedagoga e Consultora do PNUD pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, Edite Faganello Querer e dos alunos formandos no Programa de Ecodesign, os designers Luan Valloto e Henrique Godeni Martins e o biólogo Rafael Souza.

Fabiano falou sobre a importância das tecnologias sustentáveis e da educação ambiental comentando sobre seus projetos e empreendimentos na área. Propôs um olhar crítico acerca de tecnologias como a prática da composteira, apresentando o projeto HEXAGON, um novo modelo de composteiras que permite uma melhor compostagem de diferentes tipos de resíduos que não podem ser compostados nos modelos tradicionais, além de servirem melhor para a utilização em projetos de Educação Ambiental. O biólogo também apresentou seus projetos em Cisternas Verticais e Biodigestores, soluções que vem desenvolvendo para melhorar o aproveitamento de recursos hídricos e energéticos dentro de casa e que podem gerar economia e trazer impacto ambiental positivo gerado pelas residências.

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A pedagoga Edite Faganello e o Biólogo Fabiano Franciosi em uma roda de conversa sobre Educação, Ciclo de vida e Valores.

Na sequência, a pedagoga e Especialista em Jogos Cooperativos e Economia Solidária, Edite Faganello, nos mostrou como este equilíbrio entre as pessoas, a natureza e o que entendemos por “lucro”, pode acontecer através da simplicidade e de um olhar mais crítico sobre nossas ações cotidianas, levando em consideração o respeito e a escuta em relação ao outro.

Ambas as participações serviram de especial inspiração para a apresentação dos alunos do Programa de Ecodesign.

A apresentação dos projetos começou com o Biólogo Rafael Souza, que falou sobre a importância de uma Educação Ambiental que contemple o ser humano como um ser integral, propondo que a própria educação deveria ser a educação ambiental. Com este objetivo ele apresentou o projeto CO-CRIA-AÇÃO, uma nova proposta na área que visa trabalhar através de jogos, todos os níveis de relações que partem do indivíduo em relação à escola, com a família e a sociedade, além de propiciar momentos de troca entre todos os atores sociais que interagem com o ambiente escolar.

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Henrique Martins apresentando seu projeto sobre valorização dos resíduos orgânicos.

Henrique falou sobre a Valorização dos Resíduos Orgânicos, propondo projeto de participação da comunidade em ações distribuídas e locais, como uma estratégia importante para a diminuição e reaproveitamento deste tipo de resíduos, através da ciclagem de nutrientes pela compostagem. O projeto demonstrou a importância da boa relação entre os indivíduos de uma mesma comunidade ou bairro, impactando na melhoria da qualidade de vida dos moradores e da sustentabilidade das cidades.

A relação entre as pessoas foi também tema do projeto apresentado pelo Designer de Moda Luan Valloto. Luan falou sobre a importância de uma visão mais profunda acerca da moda, sobre seus impactos, apresentando propostas de soluções para o tema. O designer apontou a moda ética e a valorização do regionalismo como uma importante forma de valorizar  e preservar a cultura, a estética e os valores de um povo através dos trabalhos manuais.

As apresentações seguiram de uma troca de ideias bastante calorosa sobre a importância de um olhar não apenas para forma, mas para dentro de cada um, e os recursos internos como instrumento para se chegar a uma sociedade socialmente justa e ambientalmente equilibrada.

O próximo encontro será no dia 11 de Junho e  irá contar com a participação da mestre em Gestão Ambiental, Ana Lizete Farias, o Arquiteto Luiz Reis, que atua numa arquitetura sustentável, com diversos prêmios na área, em diálogo com os formandos do Programa de Ecodesign, a arquiteta Daniela Teodósio, e os designers de moda Gabriela Garcez Duarte e Alexandre Linhares, falando sobre “O valor do resíduo e da consciência no consumo”.

O seminário será realizado na UPE – União Paranaense dos Estudantes – Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1157 São Francisco – Curitiba, das 19:00 às 22:00.

O evento é gratuito, mas com vagas são limitadas.

As inscrições podem ser feitas através do e-mail: contato@designaovivo.com.br

Sejam bem vindos!

Design ao Vivo promove palestra aberta sobre ACV – Avaliação de Ciclo de Vida

Como saber se um produto é de fato ECOLÓGICO, qual o grau de sustentabilidade, quais os impactos que são gerados no nível ambiental, social e econômico?

 

Na quinta de abril, dia 16, a Design ao Vivo realizou a palestra aberta “Avaliação de Ciclo de Vida – ACV”, ministrada por Paola Karina, Doutora em Innovation, Accounting, Environment and Finance pela Universidade G. DAnnunzio, e faz parte da equipe de pesquisa da Phd. Cássia Ugaya, na Utfpr.


A ACV é uma ferramenta de avaliação do desempenho de produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida – do berço ao túmulo. O diagnóstico percorre todo o processo, desde a extração dos recursos naturais, passando por todos os elos industriais de sua cadeia produtiva, pela sua distribuição e uso, até sua disposição final, avaliando os seguintes itens: energia, água, Co2, combustível fóssil em cada uma das etapas, além de considerar perdas e ganhos do ponto de vista social e econômico. Atualmente são dados de base para a certificação da ISO 14.040.

Os passos da ACV estão internacionalmente padronizados pela Society of Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC) e pela International Organization of Standardization (ISO), compõem-se das fases interativas de Definição do Objetivo e Escopo, Análise do Inventário, Avaliação de Impactos do Ciclo de Vida e Interpretação.

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Recorte – Avaliação de ciclo de vida

Desta forma, a técnica pode ser utilizada em diferentes aspectos do desenvolvimento de um produto como:
– Desenvolvimento e melhoria do produto;
– Definição de planejamentos estratégicos e políticas públicas;
– Gestão de impactos ambientais de produtos e serviços e;
– Marketing ecológico responsável.

De acordo com a Norma ISO 14040: “A Avaliação de Ciclo de Vida é uma técnica de Gestão Ambiental para determinar os aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto: juntando um inventário de todas as entradas e saídas relevantes do sistema, avaliando os impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas, e interpretando os resultados das fases de inventário e impacto em relação com os objetivos de estudo”. É possível medir produtos e processos industriais relativos, em recorte de localização, matriz energética, favorecimentos geográficos.

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Ciclo de vida de produtos: Entradas e Saídas e os limites do sistema

 

Segundo a UNEP (2003), se apresentam as categorias de impacto em que os dados do inventário podem ser classificados, separando-as em categorias de entrada e saída, relacionando a cada uma delas os possíveis indicadores gerados. Em Categorias relacionadas a Entrada temos Extração de Recursos abióticos e consequente Escassez de recursos, e Extração de recursos bióticos, Escassez de recursos, considerando a taxa de reposição.

Categorias de impacto

Possível indicador

Categorias relacionadas a Entrada
Extração de Recursos abióticos Escassez de recursos
Extração de recursos bióticos Escassez de recursos, considerando a taxa de reposição
Categorias relacionadas a saída
Mudanças climáticas Kg de CO2 como unidade de equivalência para o potencial de Aquecimento Global
Destruição do ozônio estratosférico Kg de CFC-11 como unidade de equivalência para o potencial de destruição do ozônio
Toxicidade humana Potencial de toxicidade humana
Eco-toxicidade Potencial de Eco-toxicidade
Formação de foto-oxidantes Kg de eteno como unidade de equivalência para potencial de criação fotoquímica de ozônio
Acidificação Liberação de H + como unidade de equivalência para o potencial de acidificação
Nutrificação Total de macro-nutrientes como unidade de equivalência para o Potencial de Nutrification
Fonte: UNEP (2003)
 
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Infográfico do Ciclo de vida de um produto e seu impacto por Design ao Vivo Designer Gaby Emmerich 2014

 

Transformando em projeto de Ecodesign, neste inventário importa os dados apresentados para tomada de decisões estratégicas tanto com vistas ao futuro quanto a análise de um ‘retorno ao passado’, no sentido de reintegração de elementos da natureza e da sociedade.

 

  • Inovação: a ACV é realizada para avaliar o impacto ambiental de melhorias de produtos, desenvolvimento de produtos ou inovações técnicas.
  • Planejamento estratégico: O estudo de ACV é realizado para avaliar o impacto ambiental de cenários estratégicos;
  • Comparação: O estudo de ACV é realizado para avaliar se um produto ou sistema atende certos padrões ambientais, ou se é ambientalmente mais correto do que outro produto ou sistema;
  • Afirmação comparativa divulgada ao público: O estudo de ACV tem como objetivo fornecer uma declaração ambiental a respeito da superioridade ou equivalência de um produto versus um produto concorrente que realiza a mesma função;
  • Promover a concepção de novos produtos;
  • Analisar as origens dos problemas relacionados a um determinado produto e propor melhorias

 

 

Paola se deteve em seus estudos na Itália, do ACV aplicada a sociedade, parte mais atualizada da metodologia sobre os impactos sociais gerados por uma produção, área mais nova de pesquisa na Europa, aos poucos sendo adaptada as configurações brasileiras.

 

 

A palestra sobre ACV dá continuidade à série de palestras abertas do Programa de Especialização em Ecodesign, ligando as cenas atuais motivadas a diagnóstico da realidade, para dar a base para construção de cenários futuros.

No  dia 2 de abril  foi realizada a palestra “Energia Fotovoltáica e Carros Elétricos”, com a presença do professor Luis Maccarini, Engenheiro Eletrônico, especialista em sistemas de Geração Fotovoltaica e Veículos Elétricos.

Luis falou sobre as vantagens da energia solar: a aplicação, a facilidade de construção de painéis, o custo que se dissolve com o tempo, o aquecimento de água, aquecimento de interiores, além da conversão de energia em luz/iluminação. Outro aspecto potencial é a possibilidade de doar energia para o sistema da servidora estadual, permitido pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, por sistema de compensação de energia, da resolução normativa 482.

Além disto, Maccarini que é um entusiasta das atividades da engenharia a favor da mobilidade nas cidades, a sustentabilidade ao acesso de todos, demonstrou uso em projetos de construções construção civil, aplicação em escolas de educação alternativa em Porto Alegre, Viamão e Florianopolis, e obras de todos os tipos e transporte, com dados estatísticos do benefício para o planeta! e para o bolso do usuário….

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Luis Maccarini em palestra na Uexp, no Programa de Ecodesign em abril de 2015

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Público privilegiado falando sobre Energia Fotovoltaica e automotiva

Programa de Ecodesign – Confira como foi o módulo Gestão Colaborativa em Ecodesign

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Gestão colaborativa em Ecodesign

 

 

No último fim de semana de fevereiro, tivemos o 9º Módulo do nosso programa – Gestão Colaborativa em Ecodesign. Neste módulo tivemos a oportunidade de revisar vários conceitos e ferramentas aplicadas nos módulos anteriores, usando como exemplo a Co-criação de um dos projetos de conclusão de curso do nosso programa, em cooperação com a aluna Gabi Garcez Duarte.

E como base metodológica para a co-criação dos projetos, foi utilizada a estrutura de gestão do modelo criado por John Crof, que é  co-fundador da Fundação Gaia da Austrália, o modelo de gestão colaborativa de projetos Dragon Dreaming, que nos oportuniza uma visão macro da gestão de um projeto, focada no processo e no alinhamento do grupo.

Este processo é dividido em 4 etapas

SONHO – PLANEJAMENTO – REALIZAÇÃO – CELEBRAÇÃO

Que compreendem um total de 12 passos em um projeto:

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Mandala dos 12 Passos – por Rafael Souza

 

 

Nesta base, tivemos a oportunidade de nos conectar com diferentes momentos do nosso programa e a cada etapa, olharmos para diferentes instrumentos de criação e gestão trazidas pelos diferentes facilitadores ao longo do curso.

Por exemplo, o módulo 1 de nosso programa, Parâmetros para o Ecodesign, foi revisitado em nossa primeira dinâmica, um Journaling, onde os alunos apreciaram  suas necessidades e as necessidades que encontram no mundo, refletindo itens da Agenda 21 e sobre os princípios da Ética Profunda, apresentado pelo nosso facilitador José Edmilson. São elas:

a) Jamais põe em risco o outro;

b) Sempre estar orientado para o cuidado em relação ao outro;

c) Propiciar a emergência de um Homo sapiens jardineiro.

Este mesmos princípios surgem novamente como eixo motivador para o compartilhamento dos sonhos.

Utilizando dinâmicas caórdicas de co-criação, compartilhamos nossos sonhos e desenhamos de forma conjunta o alinhamento de objetivos e missão do projeto. Para propiciar uma visão macro do projeto, foi utilizado o modelo Canvas. Ao som de Skatalites, o grupo mapeou diferentes ‘áreas base’ de um plano de negócios e co-criou múltiplas oportunidades, e tudo isto em apenas 20 minutos!

“O resultado foi incrível. Neste ponto é que percebemos que um grupo, ao trabalhar profundamente por alguns dias juntos, passa a agir como  uma ‘inteligência coletiva’, com potencial de alcançar o novo a cada instante, e muito rápido”, comenta Bernadete Brandão, coordenadora do curso.

 

 

 

Já pensou em co-criar a base de um plano de negócios de forma caórdica em 20 minutos ao som de Skatalites?

 

No momento de planejamento, pudemos relembrar e aplicar no projeto em questão, as ferramentas e métodos como MEPSS, SWOT, Mapa de sistemas, Análise de Stakeholder entre outras. Tratando a situação como um projeto piloto foi realizado alinhamento com a  matriz de sustentabilidade, podendo-se utilizar como comparativo documentos como as ODMs – Objetivos do Milênio e a Agenda 21.

 

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Grupo desenvolvendo o mapa de planejamento estratégico – Karabirdt

 

Para finalizar, desenvolvemos um mapa estratégico de atividades, conhecida como Karabirdt, criado por Jon Croft, ou, na sua tradução ocidental, teia de aranha. Este modelo de mapa estratégico permite observar a inteligência do grupo através do perfil  e sua tendência a manutenção ou queda de motivação, além de propiciar uma visão macro de todas as ações do projeto, possibilitando assim, o monitoramento coletivo. “Quando este tópico é aplicado a um time de projeto, que passará meses juntos, traz dados de atitude e funcionamento de equipe, que são valiosos para o bom andamento de um projeto”, complementa Bernadete.

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Gabi com o Karabirdt do seu projeto, feito de forma colaborativa com uma equipe que se acompanha há quase um ano!

 

A prática, que teve como focalizador Rafael Souza, nos permitiu, além de revisar vários conceitos importantes na aplicação de projetos, começar a coloca-los em prática de forma colaborativa e bastante criativa!

 

O ÓCIO É UMA ARTE

 

 

Por Rafael Souza

Como você lida com o ócio?

Seria o ócio a arte de equilibrarmos dinamicamente a nossa relação com o mundo?

Segundo De Masi, a espécie humana passou por diferentes transformações: “da atividade física para a intelectual, da atividade intelectual de tipo repetitivo à atividade intelectual criativa, do trabalho-labuta nitidamente separado do tempo livre e do estudo ao “ócio criativo”.

O próprio conceito de sucesso, abordado pela agência Box 1824 em seu vídeo “All work and All Play, vem evoluindo e trazendo reflexos de um resgate a cultura do “Ócio Criativo”, defendido por De Masi. O vídeo que faz referência à geração y, não como uma faixa etária e sim como uma tendência, destaca que o profissional deste novo momento da sociedade já não se contenta com a estabilidade das empresas ou com o crescimento meritocrático. O sucesso agora se vive no dia-a-dia, nos diferentes estímulos e aprendizados, nas inúmeras possibilidades de fazer novas conexões e dar luz ao projeto da sua vida, é preciso se trabalhar com paixão.

Assim como já se viviam, e ainda se vivem muitas comunidades rurais ao redor do mundo, as atividades voltaram a se misturar. A busca pelo prazer no fazer se torna uma constante. Não basta mais trabalhar para ganhar dinheiro, para se viver o lazer. Hoje se vive a busca pelo lazer, pelo bem estar no trabalho, o que traz consigo novamente a reflexão sobre como vivemos a nossa vida, sobre que trabalho traz sentido a nossa existência e atende as nossas necessidades, sejam elas individuais ou coletivas.

A era pós-industrial abriu um campo imenso de possibilidades para que a nova sociedade se volte para si, para pensar em como estamos trilhando nosso caminho, nossa jornada individual e coletiva. Como encontramos este equilíbrio dinâmico entre o viver pra mim e o viver para o mundo? Ou melhor, como eu posso viver estas duas facetas da existência ao mesmo tempo?

 

Sem título

 

Para De Masi, “quanto mais a natureza de um trabalho se limita à mera execução e implica puro esforço, mais ele se priva da dimensão cognoscitiva (área 2 segundo esquema acima) e da dimensão lúdica (área 3). Esta é a situação infeliz que no esquema corresponde à área 1.  Existem porém, trabalhos que desembocam no jogo, como, por exemplo, o de uma equipe cinematográfica que se diverte na filmagem de um filme cômico (área 4);  e existem trabalhos que se misturam com o estudo, como o de uma equipe de cientistas realizando um experimento (área 5). Contudo, a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo (área 7);  isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo”.

O “ócio criativo” é, portanto, a arte do equilíbrio, a alquimia entre o trabalho, aprendizado e o lazer. Para se atingir este estado, antes de tudo, demanda de um processo de auto reflexão,  em saber reconhecer aquilo que nos traz bem estar, nos coloca no presente e nos permite  experienciarmos a vida e as nossas atividades com tamanha profundidade, ao ponto em que, como diz um velho conto Zen, citado pelo autor, passe a almejar  simplesmente, “a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.”.

E você, como equilibra a sua relação com o mundo?

 

 

Quer saber mais sobre o Workshop ÓCIO CRIATIVO, que estará acontecendo de 13 à 18 de Outubro em Curitiba?

Acesse nossa página no Facebook e saiba mais!

Referências:

COSTA, VANESSA. Resumo do livro: O Ócio Criativo. UFSC, 2003.

DE MASI, DOMENICO. O Ócio Criativo. Editora Sextante. Rio de Janeiro. 2000

All work and All Play. Box 1824. Brasil 2012. Disponível em: http://vimeo.com/44130258

“O homem que trabalha perde tempo precioso”

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Por Rafael Souza

“O homem que trabalha perde tempo precioso” Domenico de Masi

Opa! Calma…..

Entendo como pode se sentir após um árduo dia de trabalho para tornar, sua start up, projeto ou empresa financeiramente sustentada e, no fim deste intenso dia, se deparar com um insulto deste, ainda mais ao saber que este que voz fala, enquanto escreve, se percebe descalço, sem camisa e saboreando um delicioso açaí com cacau.

Um segundo de respiração profunda…

Antes de considerar tal citação “ultrajante” para sua prática empreendedora, eu o convidaria a refletir lendo este breve artigo.

Quem é este homem? Que trabalho é este? E que tempo precioso é este de que tanto falamos?

A frase proferida pelo sociólogo Domenico de Masi em seu livro “O ócio criativo”, ainda mexe com a mente de muitos empresários e empreendedores por aí a fora.

Segundo De Masi, “o futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação ou dever e for capaz de apostar num sistema de atividades, onde o trabalho se confundirá com o tempo livre, com o estudo e com o jogo, ou seja, com o “ócio criativo”.

Para se compreender melhor o que o autor define como “ócio criativo”, é necessário que percebamos o processo de desenvolvimento da nossa espécie, da sociedade industrial e pós-industrial compreendendo, a partir daí a profundidade dos temas como tempo livre e criatividade.

O desenvolvimento do termo “ócio criativo” originou-se da experiência com os diversos absurdos organizacionais que tornam o trabalho nas empresas angustiante. Segundo Costa, partimos de uma sociedade onde uma grande parte da vida das pessoas adultas era dedicada ao trabalho e caminhamos hoje, para o desenvolvimento de uma nova sociedade, em que parte do tempo será dedicada a outra atividade.

Atualmente fazemos muito mais coisas com o cérebro que com as mãos , ao contrário de como fizemos nos últimos milhares de anos, uma profunda e “rápida” transformação comportamental.  Segundo o autor, a espécie humana foi um divisor de águas na história da vida na Terra, a começar por uma característica, nossa imperfeição. “Somos os únicos animais que precisam de ao menos 10 anos de assistência para que nos tornemos indivíduos em condições de sobreviver.” Em função disto, “não recomeçamos sempre do início, mas, além das características hereditárias e do saber instintivo”, recebemos dos adultos o “saber cultural.”.

Passamos por todo nosso processo evolutivo, aprendendo a dar, não apenas funcionalidade, mas também significado ao que estava ao nosso redor, modificando cenários e construindo beleza ao que passamos a produzir, seja para conseguirmos uma “graça dos deuses”, ou para nos sentirmos bem. A sociedade industrial, pelo contrario “isolou o belo, expulsando-o do mundo do trabalho”. Fomos conduzidos a um modelo de trabalho que permitiu a milhões de pessoas agirem “com o corpo, mas não lhes deixou a liberdade para expressar-se com a mente. Na linha de montagem, os operários movimentavam mãos e pés, mas não usavam a cabeça. A sociedade pós-industrial oferece uma nova liberdade: depois do corpo, liberta a alma.”.

Segundo De Masi, para vivenciarmos de forma plena este momento pós – industrial, é necessário que se reavalie a organização e os ritmos desenvolvidos em nossa fase industrial. Não nos é mais conveniente, sequer necessário, viver uma rotina de trabalho que nos separe de nossas demais atividades – assim como vivíamos antes do desenvolvimento do modelo de indústria – onde dedicavamos oito horas do dia para o trabalho, oito horas para dormirmos e as demais oito horas para “nos divertirmos” (se entendermos também por divertimento o tempo que ficamos parados no trânsito em grandes cidades, nas filas de supermercados e as tantas outras atividades que, por incrível que pareça, ainda existem mesmo quando trabalhamos).

A separação entre trabalho e divertimento (ou jogo, como cita De Masi), perdeu boa parte de seu significado. Segundo o autor, tal distinção não se presenciava na época rural. Camponeses e artesãos viviam no mesmo lugar em que trabalhavam e suas atividades de trabalho se misturavam às domésticas e a “cantorias e outras distrações”.

Para De Masi, quando conseguimos conciliar todas estas dimensões, quando trabalhamos, aprendemos e nos divertimos (seja em atividades de lazer, com os amigos, com a família, ou até mesmo sozinho) tudo ao mesmo tempo, estamos vivenciando o “ócio criativo”.

Tal visão, como muito facilmente é percebida sendo aplicada por muitas das maiores empresas de tecnologia do mundo, é, sem dúvida, uma tendência crescente, sobretudo, segundo o autor, no Brasil onde, como “em nenhum outro país do mundo a “sensualidade”, a “oralidade”, a alegria e a “inclusividade” conseguem conviver numa síntese tão incandescente”.

De Masi defende que, quando se vive o ócio, a filosofia é idêntica a de um comportamento em que, no trabalho, é considerado ético se são evitados resultados vantajosos para si e prejudiciais para os outros. Pode se viver o ócio “com vantagens para si e para os outros, sem prejudicar ninguém. Neste caso, e somente neste caso, se atinge a plenitude do conhecimento e da qualidade de vida.”.

De fato, vivenciar o ócio criativo, como propõe De Masi, é, sobretudo, “uma arte”, a arte de conciliar trabalho, aprendizado e lazer ao mesmo tempo, potencializando sua capacidade criativa e colocando-a em prática para seu próprio benefício e daqueles que estão ao seu redor, de maneira cada vez mais eficiente e prazerosa.

Como já dizia o grande sábio Confúcio “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”

Nos próximos dias estaremos trazendo mais reflexões sobre como atingirmos o estado de ócio criativo, portanto, se você se sentiu provocado a conhecer mais sobre este conceito, acompanhe nosso blog e saiba mais sobre o Workshop Ócio Criativo, que acontecerá entre os dias 13 e 18 de Fevereiro em Curitiba, na Airumã Estação Ambiental.

Acesse nossa página nosso site ou entre em contato conosco pelo e-mail contato@designaovivo.com.br ou pelo telefone 4196271914/4199530324

Uma ótima, ociosa e criativa semana!

 

Referência

 

DE MASI, DOMÊNICO. O ócio Criativo. Rio de Janeiro. Sextante. 2000